Breno, Luiz Gustavo e uma pitada de impressões germânicas

Garçonete da Oktoberfest de Munique

Ontem eu fui comer um fandangos afterwork num posto de gasolina e acabei encontrando dois alemães, que entornavam várias garrafas de cerveja, claro. Um deles, Peter Keller, era torcedor fanático do Schalke 04, e logo, o assunto não poderia ser diferente: futebol.

Comentamos sobre festas, baladas, Brasil ou Alemanha e claro, como a seleção alemã surpreendeu na Copa do Mundo da África, 2010.

Fizemos aquela brincadeira já manjada: “Brasileiros jogaram como alemães e alemães jogaram como brasileiros”. Comentei que a nossa visão do futebol alemão era aquele futebol metódico, duro e pragmático.

A visão deles não é diferente.

Os alemães também não esperavam esse futebol tão diferente do que eles haviam visto até então e mostram esperança de que essa qualidade continue.

Özil com a camisa da Alemanha

Dois Fatores são cruciais para esta expectativa. O primeiro chama-se Özil. Apesar da grande Copa do Mundo eles mesmos não esperavam que o meio-campista fosse ser titularissimo da equipe do Real Madrid. No entanto, Özil tem provado que é um jogador do alto escalão do futebol mundial.

O segundo é o desempenho do futebol de base alemão, que em 2009 venceu o Campeonato Europeu Sub-17 e em 2008 o Sub-20, mostrando que há ao menos duas gerações com chances de trazer bons frutos a terra do chucrute.

Mario Götze

Na conquista de 2009 o grande nome é um jogador que vocês com certeza ainda vão ouvir falar bastante: Mário Götze. Ele fez parte de todas as seleções de base da Alemanha, desde o Sub-15 e sempre foi tratado como o grande astro.

Atualmente está no Borussia Dortmund. As boas atuações na base da esquadra nacional e também pelo time profissional do Dortmund, já renderam uma convocação para a seleção alemã principal.

Na seleção Sub-20 de 2008 o nome que chamou atenção foi Richard Sukuta-Pasu. Infelizmente, como a maioria dos jogadores 1989 da Alemanha, ele não vingou ainda.

O processo lá é bem mais lento. Richard é do Leverkusen, mas está emprestado ao St. Pauli para ganhar experiência e fez três gols no título Sub-19.

Mudamos de assunto, começamos a falar dos brasileiros na Alemanha.

O torcedor do Schalke não é o maior fã do Rafinha, acha ele um jogador displiscente e está até feliz que ele tenha deixado a equipe. Quando comentei que era São-paulino, veio o principal assunto: Breno.

Breno pelo Bayern

A torcida do Bayern de Munique não está muito feliz com o zagueiro. Além da falha que custou a vaga na Uefa Champions League, o jogador anunciou publicamente que deseja retornar ao São Paulo. BOOM! Uma bomba para a torcida de Munique. Bom, nem tanto, isso já tinha acontecido antes.

Todos acreditam no potencial de Breno. Sejam torcedores ou membros da imprensa, me disse Peter. Só que ele tem que ter paciência, pois seu processo de adaptação está sendo muito lento. Parte disso se deve principalmente a própria falta de paciência do atleta, pois ele já joga pensando que não está bem na Europa.

A torcida está mais irritada com as declarações do que com a falha na UCL. Convenhamos, a chance do Breno voltar de verdade é pequena. O São Paulo não tem o dinheiro e o Bayern também não quer vender.

Luiz Gustavo pelo Bayern

Então vamos falar do jovem defensor que mais agrada os alemães. Seu nome é Luiz Gustavo.

Para quem desconhece o jogador, ele saiu do Corinthians Alagoano (time de empresário), foi para outros times do estado de Alagoas, foi emprestado ao Hoffenheim em 2006 e assinou em definitivo com o time alemão em 2008, onde jogou até o final da temporada passada.

Em janeiro deste ano ele foi contratado pelo Bayern de Munique por quatro anos e meio. O valor da transação girou em cerca de 15 milhões de Euros.

Em Alagoas ele era praticamente um lateral esquerdo. No Hoffenheim começou a jogar como volante e zagueiro.

O desempenho dele tem agradado muito os alemães, desde que começou a fazer sucesso em gramados germânicos, em 2006. O que eles não entendem é: por que ele não ganha uma chance na seleção brasileira?

Luiz Gustavo tem apenas 23 anos e se a ideia é testar e renovar, é coerente dar ao menos uma chance para provar o seu valor.

Na verdade eles estão felizes que a seleção brasileira tenha esquecido o defensor. O atleta pretende se naturalizar para defender as cores da seleção alemã e eles estão ansiosos para que o brasileiro reforce a esquadra germânica.

É claro. Eles ainda acham que o Brasil tem o melhor futebol do mundo, mas também acham que os clubes e jogadores brasileiros estão vendendo suas almas para a Europa.

Os atletas estão indo muito jovens, se esforçando além do limite e isso está prejudicando o futebol pentacampeão mundial. Opinião deles.

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One Response to Breno, Luiz Gustavo e uma pitada de impressões germânicas

  1. Camilla says:

    Concordo plenamente que os jogadores saem daqui muito cedo, isso costuma gerar casos como do Breno que saiu cedo e ta louco pra voltar, mais felizmente parece que a nova “safra” do futebol brasileiro, Lucas, Neymar, Casemiro (que foram os maiores destaques da seleção sub-20) pensam diferente, pretendem antes de ir pra fora, fazer seu nome por aqui, isso na minha opinião é dar valor ao clube formador, fazer valer o investimento, dar retorno ao clube, um retorno merecido.

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