Verde e amarelo com tons de laranja: Matheus De Wit é campeão europeu pela Holanda

O brasileiro Matheus De Wit é um dos destaques do Twente e esteve com o grupo da Laranja Mecânica, que foi bicampeã européia consecutiva em cima da Alemanha

A Holanda conquistou recentemente o bicampeonato consecutivo da Eurocopa sub-17. A seleção mostra que o jogo virou contra a Alemanha. Depois de perder em 2009, para a geração Mario Götze, os holandeses venceram duas vezes seguidas na geração Tonny Trindade, relativa à 2011 e 2012.

Matheus De Wit tira foto com a camisa da Holanda e a medalha de campeão europeu

Dentre os muitos destaques da seleção, como o próprio Tonny Trindade, que já joga pelos profissionais do Feyernoord e Nathan Aké, do juniores do Chelsea, quase sobrou uma vaga para um brasileiro. Trata-se de Matheus De Wit, que com esse sobrenome não pode negar, é descendente de holandeses nascido no Brasil.

Ele não era titular e nem reserva no time campeão, mas estava com o grupo. Ele foi o 19º jogador de uma lista de 18 nomes e ficou como suplente para Tonny Trindade, que viajaria depois da apresentação do grupo por causa da sua agenda com o profissional do Feyernoord.

De Holambra-SP, Matheus começou jogando em umas escolinha de sua própria cidade, mas o talento logo cativou alguma equipe de maior porte. Foi o Guarani quem enxergou o potencial do jovem, que ainda jogava como meia-atacante.

Com a camisa do Guarani

Matheus integrou o sub-14 do Guarani e passou a brilhar jogando como ponta esquerda. Canhoto e veloz, o jovem rapidamente chamaria a atenção de outros olhares e um em especial que surgiu para mudar a vida de Matheus.

O jornalista Gijs Eijisink, que trabalha em um jornal especializado do Twente, ficou impressionado com o brasileiro e aproveitando a facilidade do jogador já ter passaporte europeu, fez o convite para ele jogar na Holanda.

Jogando pelo FC Twente

Bastou um teste na equipe, que já conta com os brasileiros Gladestony e Douglas, para encantar também fora do país, em 2009, quando ainda tinha 14 anos de idade. Os seus pais, no entanto, acharam que o garoto era muito novo para morar fora e por isso a mudança não aconteceu.

Apenas dois anos mais tarde, em março de 2011, Matheus fez um novo teste no Twente e passou, ganhando a chance de mudar de ares. Em agosto de 2011 ele já estava na Holanda treinando com o Twente.

A vida de Matheus mudou. Passou a estudar numa escola especial para estrangeiros e até hoje enfrenta a dificuldade com a língua: “Me adaptar ao futebol foi fácil, mas com a língua ainda sofro um pouco. Não falo tão bem o idioma daqui”, comentou o atleta em entrevista para este blog.

A principal mudança, porém, foi dentro de campo. Matheus jogou uma partida amistosa na qual foi deslocado do meio-campo para a lateral esquerda. Agradou tanto que nunca mais largou a posição.

Desse momento em diante só sucesso. O atleta passou a despontar com seu modo incisivo de jogar, sempre indo pra frente e apostando em sua velocidade. Chamou tanto a atenção que esteve por duas vezes na pré-lista de convocação das seleções de base holandesas, até ganhar a convocação para a Eurocopa.

“Fiquei muito feliz de ir pra Eurocopa. Treinei com os 27 jogadores da pré-lista, eu não estava entre os 18 que iriam pro torneio”, comentou Matheus. “O treinador falou que eu não falava bem a língua e não tava entrosado, mas o Tonny tinha que se apresentar depois, então eu fiquei como suplente”.

Matheus ficou no quarto com Tonny Trindade e Nathan Aké, dois dos principais destaques do time: “Fiquei no quarto com o Tonny e o Aké, peguei amizade fácil com eles e com todos do time depois. Foi sensacional, a melhor experiência da minha vida participar desse grupo e desse título”.

O encantamento de Matheus com o período passado com a seleção gera sempre aquela dúvida típica, quando se fala em jogadores brasileiros com dupla nacionalidade: e na hora de defender a seleção principal?

Matheus De Wit não sabe se defenderá Brasil ou Holanda no futuro, mas confessa que a vontade maior é de defender a amarelinha.

“Eu gostaria muito de defender o Brasil, mas não vejo nenhum problema em defender a Holanda”, disse o jovem. “Se eu fosse chamado pela Holanda e perdesse pra sempre minha chance na seleção brasileira, ficaria mais sentido em atender a convocação do que se fosse ao contrário”.

O que nos resta é esperar e acompanhar mais esse brasileiro que, tão cedo, deixou nosso país para brilhar em solo europeu.

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base.
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