As barreiras do tetra: um raio-x das equipes do Sul-Americano sub-20

O Brasil terá grandes desafios para conquistar mais uma vez o Sul-Americano sub-20 e o blog do Gabriel Fuhrmann faz uma compilação dos adversários da Seleção

A Seleção Brasileira sub-20 já mereceu seu raio-x em um texto separado – Com dois filhos de campeões mundiais, Brasil vai atrás do tetra consecutivo no Sul-Americano sub-20 – e agora vamos falar um pouco de quem são os adversários nessa competição.

Argentina

Os Hermanos são sempre os principais adversários do Brasil, seja pela rivalidade ou pela qualidade das equipes que montam. A responsabilidade de ser anfitriã da competição é grande, mas também um incentivo em busca do título.

Iturbe comemora pela Seleção

Assim como o Brasil não pode contar com Marquinhos e Fabinho, que não foram liberados por Roma e Real Madrid, respectivamente, a Argentina também chegou ao torneio desfalcada de seus “estrangeiros” e aposta no talento de Juan Manuel Iturbe, do Porto (POR), considerado o mais promissor dessa geração.

Durante o primeiro jogo da competição, apesar da derrota por 1 a 0 para o Chile, que teve dois jogadores expulsos, o craque Lionel Messi exaltou o talento de Iturbe, que já foi comparado com o camisa 10 do Barça.

Basicamente, vestindo a camisa 7, a função de Iturbe será transtornar os adversários com seus avanços pelo lado esquerdo do campo. Do outro lado fica Ricardo Centurión, do Racing.

Chama a atenção também a presença de Manuel Lanzini, que jogou no Fluminense, mas já voltou ao River Plate.

Na reserva, mas com altas possibilidades de entrar para ser protagonista, está Federico Nicolás Cartabia, do Valencia (ESP). O meia-esquerda não é o favorito do treinador, mas uma grande aposta para o segundo tempo dos jogos.

A Argentina está no Grupo A.

Uruguai

Comandada pelo atacante Nicolás Lopez, que joga no Roma (ITA), o Uruguai é o principal adversário do Brasil na primeira fase da competição.

Nicolás Lopez com a camisa da Roma

O polêmico e franzino goleador é o principal destaque da Seleção. Sua saída conturbada do Nacional não atrapalhou sua carreira. Depois de muita discussão e brigas, o próprio agente do jogador pagou a multa rescisória com o Nacional e levou o jovem para a Roma, em 2011.

Além dele, outro atacante estrangeiro merece um olho bem aberto: Rubén Betancourt joga no PSV (HOL). Trata-se de um  jogador diferente de Nicolás, mais alto e forte fisicamente, tem em seu cabeceio uma arma fatal. Grande perigo para a zaga brasileira.

Já dentro do próprio país, vale ressaltar o também atacante Gonzálo Bueno, que vem de um grande desempenho no campeonato uruguaio, sendo considerado a grande revelação do torneio. Tudo começou quando ele participou do clássico entre Peñarol e Nacional. O Nacional perdia por 1 a 0 quando Bueno entrou em campo. Ele marcou o gol de empate e sofreu o pênalti que virou o jogo. Acabou eleito o melhor jogador em campo e passou a ser um dos principais nomes da equipe.

Falando da defesa, o grande nome para se olhar é Emiliano Velásquez. Com uma participação perfeita no Sul-Americano sub-17 de 2011 e a conquista aos poucos da vaga de titular no Danúbio, o zagueiro é o capitão e principal defensor da celeste.

O Uruguai será o segundo adversário do Brasil no Sul-Americano.

Paraguai

Desfalcado de sua maior estrela, Mauro Caballero, que recentemente trocou o Libertad pelo Porto (POR), o futebol dos nossos colegas tende a ser similar aos produtos que vendem em Ciudad de Leste.

Rodrigo Alborno

Um nome apenas reina quase solo na Seleção: Rodrigo Alborno, que pertence a Inter (ITA), mas está emprestado ao Novara (ITA). O meio-campista já foi comparado a inúmeros nomes europeus, incluindo Sneijder e Cristiano Ronaldo. Isso deve-se a sua incrível velocidade e o potente chute de média e longa distância, um talento raro com muita capacidade para fazer a diferença em qualquer partida.

O outro destaque é Derlis Gonzáles, principal nome do Sul-Americano sub-17 2011, que já acumula rodagem profissional no Paraguai e hoje encara o desafio de integrar o time sub-19 do Benfica.

O Paraguai está no grupo A.

Venezuela

Com um meio-campo e ataque de respeito, mas com uma defesa muito frágil, a surpreendente Seleção Venezuelana pode ser um grande empecilho no grupo do Brasil.

Josef Martínez

O atacante Josef Martínez, do Young Boys, da Suíça, é o comandante da linha ofensiva, graças a sua experiência e rodagem, tanto pelo seu time, quanto pela Seleção. Disputou em 2011 o Sul-Americano sub-20, já jogou pela principal e até já fez gol na Libertadores. Com uma habilidade fora de série para driblar e muita velocidade, é um atacante que demonstra muita raça em dentro de campo.

Ele vai fazer dupla com Manuel Arteaga, destaque do Sul-Americano sub-17 de 2011, que foi carrasco da Seleção Brasileira ao marcar dois gols logo no início da partida. No entanto a Venezuela perdeu por 4 a 3 – Pedro Paulo, do Cruzeiro, marcou duas vezes, Adryan e Piazon completaram o placar para o Brasil -. Depois de ser dispensado do Liverpool (ING) e também da Fiorentina (ITA), o atacante está emprestado ao Parma (ITA).

Completando o trio que enche de esperanças os venezuelanos está Darwin Machis, do Granada (ESP). Ele já chegou a atuar pela Seleção principal e encerrou  2012 pelo Granada com três gols em cinco jogos. Jogando mais pelos lados do campo, no lado oposto a Martínez, Machis terá a função de municiar Arteaga.

E quem será o verdadeiro armador de todo esse trio se chama Juan Pablo Añor, do Malaga (ESP). Ele está na Seleção desde o sub-15 e com velocidade e toques rápidos, vai ditar o ritmo do super-ataque venezuelano. No caso da Seleção “vinotinto” a melhor defesa é atacar muito.

A Venezuela encara o Brasil no dia 16, será o terceiro jogo da Seleção na primeira fase.

Chile

Mesmo desfalcada do atacante Angelo Henríquez, do Manchester United (ING), a Seleção do Chile vem em busca de finalmente empolgar nas categorias de base.

Diego Rubio

Com um elenco recheado de atletas experientes na liga nacional e o centroavante Diego Rúbio, do Sporting (POR) no comando do ataque, a Rojita pode sim ter uma campanha muito boa.

Rúbio tem o futebol no sangue. É filho de Hugo Rúbio, que fez sucesso no Colo-Colo. Seus irmãos também viraram futebolistas: Matías Rubio é atacante da Universidad Católica e Eduardo Rúbio do La Serena. Pra completar, ele é sobrinho de Iván Zamorano, ídolo na Seleção Chilena.

Diego Rubio já integrou a Seleção principal em 2011, para a disputa da Copa América e tem tudo para ser o principal nome chileno na competição. O coadjuvante de luxo deve ser o maio-campista Bryan Rabello, principal nome da péssima campanha no Sul-Americano sub-17 de 2011, acabou sendo levado pelo Sevilla.

O volante tem ótima saída de bola e tudo para cumprir as principais funções da posição em campo, tanto defendendo, quanto armando.

O Chile está no Grupo A.

Colômbia

Os colombianos sofreram um desfalque grave em seu ataque na convocação. O Santos Laguna (MEX), contratou o atacante Renteria e não permitiu sua convocação para o torneio sub-20.

Quintero pelo Pescara

Assim, o meio-campista Juan Quintero, do Pescara (ITA) vira o grande nome do time. Seu estilo de jogo lembra James Rodríguez, do Porto (POR). Para compor o meio-campo e o ataque surgem os nomes de David Leudo, do Estudiantes de La Plata e do atacante John Córdoba.

Embora com certeza a vontade seja muita, a Colômbia dificilmente repetirá o feito da geração de Falcão Garcia, campeã Sul-Americana sub-20 em 2005.

A Colômbia está no Grupo A.

Peru

Depois do vexame de 2011, quando foi anfitrião e não passou nem da primeira fase, o Peru pode repetir o feito (sem a parte de ser anfitrião), mas com um pouco de sorte pode até surpreender.

Embora possa contar com todos seus estrangeiros, incluindo o meia-atacante Christian Benavente, do Real Madrid (ESP). A Seleção não empolga muito a torcida.

Benavente com a camisa do Peru

Benavente é nascido na Espanha, mas tem a dupla cidadania, pois sua família é peruana. É formado no Real Madrid desde criança e hoje atua no Castilla, primeira equipe de juniores dos merengues. Ambidestro e de bastante habilidade e controle de bola, poderá ser um bom nome a se observar no time peruano.

Outro estrangeiro que vai chamar a atenção é Edison Flores, que se destacou no Sul-Americano sub-17 e joga no Villarreal (ESP). Pelo time B vem tendo boas atuações e pode ser algo de bom entre os peruanos. Incansável, ele preenche vários espaços do campo e ainda é um grande armador de jogadas.

Vale a pena também prestar atenção em Andy Polo, um meio-campista que tem tudo para ser o principal jogador do time. Destaque no Sul-Americano sub-17 de 2011, do qual o Peru foi eliminado ainda na primeira fase (o mesmo deve ocorrer agora), o jogador do Universitário é alvo de vários times europeus, como o Genoa, por exemplo.

O atacante Yordy Reyna, ex-Alianza Lima e atualmente no Parma, é outro nome interessante. De uma velocidade impressionante e drible fácil, deve aproveitar as boas jogadas do meio-campo, principalmente Edison Flores.

O Peru é o último adversário do Brasil na primeira fase, o jogo será no dia 18.

Equador

Primeiro adversário do Brasil, o Equador vem de boas campanhas no futebol de base, como o quarto lugar conquistado justamente por essa geração no Sul-Americano sub-17 de 2011.

Cevallos Junior

O nome da vez é José Cevallos Junior, filho o goleiro José Cevallos. Ao contrário do pai, a função do jovem não é evitar gols e sim fazer com que eles aconteçam. Ele marcou três vezes na boa campanha do Sul-Americano sub-17 em 2011.

No Mundial da categoria, embora tenha sido goleado de forma humilhante pela Alemanha (6 a 1), logo na estreia e sido eliminado pelo Brasil nas oitavas de final, Cevallos anotou mais dois gols.

Além disso, o jovem de apenas 17 anos é titular da LDU, já tem bastante rodagem, e pelo que se pôde acompanhar, também tem estrela. Ele marcou o gol que colocou o time de Quito na Libertadores 2013.

Bolívia

Embora não inspire muita confiança, a Bolívia surge com uma Seleção recheada de bons nomes.

Alex em ação contra a Argentina

Um deles é Alex Pontons, que é jogador do Milan, embora esteja emprestado para ganhar experiência em equipes menores da Itália. Titular absoluto da Seleção em todas as categorias, ele é com certeza o principal jogador do time. Com muita velocidade e habilidade no drible, Alex chama a atenção de todos, sempre.

O goleiro titular é interessante, embora não chame tanta atenção fora do Brasil. Guillermo Viscarra, joga no Vitória, da Bahia e é titular da Seleção desde 2008. Brasil e Bolívia dificilmente se encontrarão, já que os bolivianos não devem passar da primeira fase, mas caso se esse jogo acontecesse, os dois goleiros sub-20 da equipe baiana se encontrariam como adversários.

Vale abrir o olho para o goleador Carlos Paniagua, do Sevilla (ESP). Da participação modesta que a Bolívia deve fazer no torneio, esses devem ser os principais nomes.

A Bolívia está no Grupo A.

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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