Seleção peruana tem suspeita de “gato” no Sul-Americano sub-20

Equipe que eliminou o Brasil tem grave denúncia feita contra o zagueiro Max Barríos, que teria outro nome, outra idade e até outra nacionalidade, segundo equatorianos

O zagueiro Max Barrios, do Peru, está sendo acusado de adulterar seus documentos para participar do Sul-Americano sub-20.

Max Barrios ou Juan Espinosa?

O jogador do Juan Aurich, em sua documentação junto a Conmebol e Federação Peruana de Futebol, diz ter nascido em 15 de setembro de 1995, portanto teria apenas 17 anos. No entanto, segundo os dirigentes da federação equatoriana, Barrios já atingiu a maioridade faz tempo.

A denúncia dá conta de Max Barrios na verdade chama-se Juan Carlos Espinosa e nasceu em 23 de julho de 1987, ou seja, já completou 25 anos. Uma boa diferença. Além de ter adulterado o nome, Barrios (ou Espinosa) também adulterou sua nacionalidade. Ele não é peruano e sim equatoriano.

São duas denúncias em uma: um jogador acima do limite de idade atuando em um campeonato sub-20 e um jogador de origem estrangeira, sem dupla-nacionalidade, atuando por outra federação.

Barrios já enfrentou diversos problemas na Seleção Peruana, além dessa denúncia. Pouco antes do início do Sul-Americano sub-20 ele se ausentou da equipe e acabou tomando uma punição. Ele foi encontrado, curiosamente, em uma cidade do Equador.

A justificativa do atleta para ficar cinco dias afastado dos treinamentos? Problemas familiares.

Segundo a ficha do jogador junto a Federação Equatoriana de Futebol, ele fez seu primeiro registro em abril de 2004 e desde então passou por vários times, como LDU de Loja e Deportivo Cuenca, entre outras equipes.

O presidente da LDU de Loja confirmou que o jogador atuou pela equipe equatoriana.

Vale lembrar que Max Barrios estava suspenso e não enfrentou o Brasil no jogo que acabou tirando a Seleção do torneio. No entanto, o zagueiro foi um dos principais nomes da Seleção Peruana durante a primeira fase.

Segundo Iván Vasques, presidente da Comissão de Menores da Federação Peruana de Futebol, o congressista que enviou a denúncia para a federação equatoriana está agindo como um torcedor: “O congressista está atuando como um torcedor qualquer, no caso. Acredito que ele tem todo o direito de tocar no assunto, assim como qualquer membro da Federação Equatoriana de Futebol ou de qualquer outro país e vamos investigar e responder”.

No entanto, Javier Quintana, secretário da FPF (federação peruana e não paulista) já ordenou a volta de Barríos ao Peru para que o problema seja resolvido.

 

Juan Espinosa e Max Barrios

Em defesa dele

O pai de Max Barríos, no entanto, afirma que ele realmente nasceu no Equador, mas tem sim os 17 anos que constam em sua documentação.

“Tenho a certidão de nascimento e tudo mais, tudo formal e legal e garanto que Max nasceu em 1995″, disse o pai do jogador, Ángel Barríos. “Eu registrei ele aqui em Sullana (cidade do Peru), mas passei quatro anos no Equador, quando conheci Adelina, mãe dele. Ela foi com outro homem pra Colômbia quando Max tinha seis anos, mas eu trouxe ele pro Peru”.

Segundo o pai, o jogador também ligou para ele dizendo que vai largar o futebol e voltar para a pacata vida em sua chácara.

Nada deve acontecer

Não muito tempo atrás, o Brasil passou por uma situação bastante parecida. Depois de faturar o título Sul-Americano sub-15 com folga, a Seleção viu o jovem meia Heitor, vulgo Baiano, anunciar que era, na verdade, cinco anos mais velho do que seus documentos falsificados mostravam.

Seu verdadeiro nome era Fabrício e ele jamais poderia ter jogado o Sul-Americano sub-15 em dezembro de 2011, pois havia nascido em 1992, já tinha quase 20 anos de idade.

Nada aconteceu com o Brasil e nem com Fabrício. Ele continua no Vasco, mas agora integrando um grupo de jogadores condizente com a sua idade.

Ainda houveram outras suspeitas de “gato” envolvendo jogadores sub-15 do Vasco que foram chamados pra a Seleção, entre eles o artilheiro Mosquito, mas nada aconteceu.

Confira a ficha do jogador e a denúncia feita a Federação Equatoriana de Futebol

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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