Desabafo: o dia em que eu torci contra o São Paulo

Sou são-paulino fanático, nunca neguei isso e jamais teria a pretensão de negar, mesmo com os avanços da carreira como jornalista. Entendo os motivos dos que escondem, e são muito plausíveis, mas cheguei até aqui movido pela paixão que começou com esse time e por isso jamais negaria sua influência.

Em oito anos trabalhando na área, mesmo mantendo o profissionalismo e tentando ser o mais imparcial possível, nunca imaginei que chegaria ao ponto que cheguei na noite de ontem, quarta-feira, 08 de maio.

Ontem eu torci contra o São Paulo. Isso não aconteceu nem quando uma derrota para o Juventus poderia ter colocado o rival, Corinthians, na série A2 do Campeonato Paulista.

Eu realmente queria que o Atlético-MG fizesse mais gols. Eu já estou destroçado por esse time faz tempo, mas em um sentimento mesquinho, eu queria ver os jogadores sofrerem também. Queria que cada um dos atletas do São Paulo sofresse a humilhação de um gol atrás do outro, de realmente serem humilhados em campo.

Perder um torneio? Acho que isso já não dói neles faz muito tempo. Perdendo ou ganhando o salário está na conta. Mas ser humilhado? Isso dói em qualquer um.

Então foi isso que eu passei a querer. Comemorei muito o show do Ronaldinho, jogador mais habilidoso que tive a chance de ver jogar e inclusive comemorei o terceiro gol do Jô. Quem diria, mas esse time do São Paulo é único: tão sem vergonha, sem vontade e sem qualidade, que conseguiu me fazer torcer pro adversário.

Será que fui o único? Às vezes suspeito que não foi só a raiva de ver como os jogadores não se importavam com a eliminação. Foi também a admiração de saber que o adversário merecia o show que apresentava.

O time do São Paulo? Além de não ter vontade de estar em campo, é também muito fraco em qualidade técnica.

São dois meias de alto nível, que não rendem o que podem ainda. Apenas um homem de área em péssima fase e Osvaldo, o salvador da pátria, que está mala pra caramba desde que voltou da Seleção.

O que mais há? Nada, realmente não há mais nada. Wellington é um potencial ótimo volante, mas mostrou ontem que ainda tem muito pra aprender.

Tolói precisa esquecer o tempo em que exaltavam ele no Goiás e falavam que europeus gostariam de ter ele no time. Ninguém quer mais ele hoje e seu excesso de preciosismo cada vez custa mais caro.

Paulo Miranda e Douglas? É uma ofensa aos outros jogadores chamar eles de jogadores profissionais.

Ou seja, não é só a desmotivação, o time é fraco, o elenco todo. Parabéns ao presidente e seu continuismo e a todos os responsáveis por montar o que vemos home em campo. Assim o São Paulo vai longe e quem sabe um dia ainda me faça querer ver o tricolor rebaixado para uma segunda divisão.

 

 

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
This entry was posted in Promessas do futebol. Bookmark the permalink.

4 Responses to Desabafo: o dia em que eu torci contra o São Paulo

  1. Gustavo says:

    ótimo texto, Gabriel.

    A qualidade técnica do SPFC está mesmo muito baixa. Até o XV de Jaú tem elenco mais equilibrado que o nosso – aposto que eles têm laterais nos 2 lados.

    Discordo, no entanto, quando você diz que o time não tem vontade, vergonha ou algo assim. Eles, mais que ninguém, querem ganhar, são profissionais dedicados.

    O problema é que a direção do clube fracassou de forma retumbante. Já deu o tempo deles, precisam sair. Não conto com grandes progressos enquanto a diretoria for a mesma. No máximo uma Sul-Americana, nada mais.

  2. Gabriel Fuhrmann says:

    Primeiro prezo sempre pelo respeito aos outros e jamais me dirigiria a você dessa forma, mesmo sem saber quem é. Em segundo lugar, Lucas está há quilômetros de distância do Ronaldinho Gaúcho. Dizer isso prova que você acompanhou muito pouco do que já fez Ronaldinho no mundo inteiro e do que ele é lá na Europa. Dinho, como o chamam, é um jogador inesquecível para qualquer torcedor Europeu. Ser o mais habilidoso, no entanto, não quer dizer ser o mais eficiente, longe disso. Habilidade? Ele tem muito mais do que o próprio Messi, é um jogador malabarista, que faz coisas que nenhum outro eu vi fazer no futebol. Modere seu linguajar quando voltar aqui. Abraços.

  3. Bruno Burlamaqui says:

    Ainda não cheguei a tanto (torcer contra o SPFC), mas as derrotas feias, os vexames e as eliminações já não alteram o meu humor. E, para um torcedor fanático, como eu também me julgo, isto parece um contrasenso. A última vez que uma derrota me abalou foi a semifinal da Copa Libertadores 2010, quando lutamos muito na partida do Morumbi, mas ficamos no quase, mesmo tendo o time feito uma apresentação tão patética quanto a de ontem, no Beira-Rio, na primeira partida daquela disputa mata-mata, que levava o vencedor ao Mundial Interclubes daquele ano.

    Voltando ao foco principal, foram tantas as lamentações pelas quais passamos nos últimos anos que nem o título da Copa Sulamericana, que tem um valor importante por ser uma copa internacional, foi capaz de apagá-las. Apanhar para o Santos em três semifinais de Campeonatos Paulistas… ser eliminado bisonhamente pelo Avaí na Copa do Brasil 2011… e muito mais… tudo isto machucou bastante.

    É impressionante como nenhum técnico consegue dar um padrão de jogo ao São Paulo, mesmo mudando todas as peças do elenco como o Juvenal fez recentemente. É um mistério que me incomoda! O time não tem uma identidade; um estilo de jogo definido; com cada jogador sabendo o que fazer em campo. Assemelha-se à seleção brasileira, porém esta tem a desculpa de que não há tempo para treinar. No caso do Tricolor é exatamente o contrário. Faz uns quatro anos que buscamos o que o Corinthians alcançou já em 2009, com Mano Menezes, fazendo com que hoje o Tite colha quase que os totais méritos de um time que evoluiu com o tempo, algo que aconteceria independente de quem estivesse no comando técnico, me atreveria a dizer.

    Temos Rogério Ceni, Lúcio, Rhodolfo, Rafael Tolói, Bruno Cortês, Paulo Henrique Ganso, Jadson, Osvaldo, Luís Fabiano… muitos nomes que tem um histórico relevante dentro do futebol brasileiro, alguns até com passagens por seleção nacional. Há carências em outras posições, é verdade, mas fundamentalmente não há liga. É um amontoado de jogadores dentro de campo, que vivem de jogadas individuais e não do coletivo. Cheguei a ver um pouco de ”time” em alguns momentos, com o Ney Franco, mas foram apenas algumas miragens que logo se dissiparam. Uma vergonha!

    Já esquentei muito a cabeça com relação ao SPFC e o futebol. Hoje não mais. Feliz ou infelizmente.

  4. pistoleiro says:

    vai tomar no cu seu modinha,rg mais habilidoso que vc já viu prova que vc não entende nada de futebol,lucas tem mais habilidade,mesi nem se fala…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>