[São Paulo] Sucesso da geração sub-17 pode levar “furões” pra Copinha

A geração mais promissora de Cotia, desde 91/92, a primeira 100% feita no CT Laudo Natel,  pode furar a fila das categorias de base pra jogar a Copinha em 2014

No Brasil tudo funciona com filas. É fila pro banco, pro poupatempo, metrô e até na padaria. Onde você vai uma fila está presente e nas categorias de base isso não é diferente. Os atletas normalmente respeitam uma fila de oportunidades nos campeonatos de suas respectivas categorias, sendo os mais velhos priorizados.

Em um campeonato sub-20, como é o caso da Copa São Paulo, por exemplo, as equipes normalmente levam atletas já maturados, com 19 ou 20 anos, para disputar o torneio, mas essa fila não precisa ser respeitada quando se tem um talento excepcional.

Foi assim que neste ano Robert, Kenedy, Fernando Baiano e Bruno Gomes, furaram a fila dos sub-20 e aos 16 anos (17 para Fernando Baiano) foram titulares da Copa São Paulo de Futebol Junior, por Fluminense, Inter e Desportivo Brasil, respectivamente.

Em 2014 poderão jogar a Copinha os atletas nascidos entre 1994 e 1998, o que elimina alguns jogadores e traz outras novas promessas.

Em 2013 muitos atletas foram beneficiados pela disputa do Sul-Americano sub-20, que levou os principais nomes da categoria para a Seleção e acabou desfalcando muitos times, principalmente o Fluminense e isso não vai acontecer de novo em 2014, o que faria alguma diferença, mas não muita.

Esse desrespeito a fila não afeta tanto uma categoria quando trata-se apenas de um ou dois jogadores, mas o que fazer quando um time quase que completo consegue se destacar a ponto de merecer passar a frente na fila? Esse é o dilema vivido no São Paulo, que guarda uma geração de ouro na categoria /96.

Com o sub-20 já esvaziado, depois que alguns jogadores subiram e outros foram emprestados os olhos tricolores estão voltados para a geração sub-17, que está acostumada a invadir outras categorias.

Em 2012, por exemplo, essa turma já havia invadido o Paulista sub-17 e tirado a vez dos garotos nascidos em 1995. Nomes como os zagueiros Lucas Kal e Lucas Cavalcante (Lucão), o lateral/meia Auro, os volantes Matheus Queiroz e Gustavo Hebling e os atacantes Joanderson, Ewandro e Bruno Pereira, já eram presenças constantes no time titular, que acabou eliminado precocemente da competição.

O destaque desses jogadores desde então só aumentou. Gustavo Hebling, Lucão e Auro, são titulares absolutos da Seleção que disputa o Mundial sub-17 nos Emirados Árabes Unidos e o São Paulo ainda teve o reforço do ex-Guarani Gabriel Boschillia, o grande destaque da Seleção no torneio. Isso sem falar em Joanderson, que está na reserva do Brasil.

No próprio tricolor os destaques tem sido perceptíveis também, como é o caso do atacante Ewandro, que teve grandes atuações na Copa do Brasil da categoria e foi considerado por muitos um dos nomes esquecidos, que deveriam ter ido com a Seleção para o Mundial sub-17.

Um dos casos emblemáticos para o São Paulo é Auro, que tem se destacado na Seleção com atuações surpreendentes. No entanto, no próprio time o bom desempenho já era perceptível. O jovem superou o concorrente Wellington Foguete, contratado do Vasco com grande expectativa e assumiu a titularidade do tricolor, ganhando inclusive a vaga na Seleção, que desde o sub-15 pertencia ao ex-vascaíno.

Auro tem mostrado o suficiente para ser credenciado no time que disputará a Copa São Paulo, mas colocar o jovem pra jogar, seria tirar chances de Lucas Farias e Caramelo, por exemplo. Vale lembrar que Lucas Farias, renomado por boas atuações no São Paulo e na Seleção, está em seu penúltimo ano de sub-20.

O técnico Sérgio Baresi poderia facilmente montar um time /96 que dificilmente ganharia o torneio, mas evoluiria muito jovens potenciais e seria bastante competitivo. O técnico daria chances para Boschillia, principal jogador da Seleção sub-17, Gustavo Hebling, Ewandro, Joanderson e Lucão, por exemplo.

Assim, na melhor das hipóteses para essa turma mais nova, o time poderia ser: Lucas Girardelli, Auro, Felipe Barros, Lucão e Arthur; Gustavo Hebling, Matheus Queiroz, Gabriel Boschillia, Pedrinho, Ewandro e Joanderson. Contar com sete jogadores nascidos em 1996 não seria nenhum absurdo, mesmo sendo uma competição mais preparada para atletas 1994.

Apenas como base comparativa, muito embora a geração 94 fosse mais bem cotada do que a 93 no São Paulo, na Copinha 2013 o time titular tinha: Felipe Passoni, Luiz Eduardo, Marcelo, Henrique Miranda, Rodrigo Caio, João Felipe e Tiago Moura no time titular, todos atletas no ano limite de disputa para a competição. Matheus Reis e Lucas evangelista eram os únicos atletas nascidos em 1995, que é a diferença para os 1996 de agora. Joanderson foi o único 1996 relacionado.

É claro que essa hipótese não deve ser levada muito a sério, uma vez que dificilmente nomes como Tyroane e Matheus Reis (95) e Allan (94), irão de fato perder suas chances, mas essa possibilidade existe.

Ao mesmo tempo que montar um time mais jovem iria trabalhar esses potenciais, tiraria as chances de nomes como Lucas Farias, Carlos Chaba, Carlos Silva, Allan, Matheus Barreto, Rafael Frarão, Adelino, Mirray, que se recuperou de lesão, entre outros.

O São Paulo vive entre dar as chances para seus jogadores mais novos, considerados maiores potenciais da categoria ou dar a chance de acordo com a fila, dando preferência ao time sub-20. Um dilema que vai caber a Sérgio Baresi resolver. O que você faria?

Post inspirado em conversa com @Craque_J e @RomuloMaiaD.

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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8 Responses to [São Paulo] Sucesso da geração sub-17 pode levar “furões” pra Copinha

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  2. Gabriel Fuhrmann says:

    João, sinceramente, aqui não é um espaço para discussões do tipo “Meu time é melhor que o seu”, vejo uma rebeldia sem causa em seus comentários. Dizer que esses três jogadores em especial são pouco badalados, é simplesmente ignorar tudo que tem sido comentado na área, principalmente Fernando, volante o qual defendi que deveria ter sido convocado pelo Alexandre Gallo diversas vezes, via twitter e blog. Nathan até é um pouco mais escondido, mas Caio é tratado como joia faz tempo, porém é um ano mais novo. No mais não vejo o porque de tantas criticas ao São Paulo. O grupo se mostrou bom, jogou melhor do que o Santos mesmo com praticamente metade do time mudado, principalmente no primeiro jogo, onde o São Paulo pagou por vacilos, que não podem ser cometidos quando há um jogador da qualidade do Fernando do outro lado. Os desfalques contaram muito contra o São Paulo, principalmente pelo time não estar acostumado a jogar sem algumas referências, mas o desempenho não me desagradou não, achei bom e deu chance até para alguns outros nomes aparecerem. Não entendo a sua revolta em falarmos mais dos atletas que mostraram bom desempenho ao longo das competições e não só em uma fase do Paulista.

  3. Gabriel Fuhrmann says:

    Temos dois Carlos Silva no time, o Chaba (zagueiro) e um volante. O Cavalcante jogou várias vezes no sub-17, bem mais que o Gabigol, mas concordo com sua análise.

  4. Platão says:

    kkkkkk,verdadeiro vc é um palhaço,são paulo jogou com os suplentes,não contava com o bruno pereira,Boschilia,joanderson,auro,Gustavo,Lucas goleiro….No inicio do ano esses jogaram contra o Santos na future cup,e vcs levaram uma surra no campo.Desculpe-me,mas essa geração santista é fraca,tal como a de 97 e 98.Agente já foi campeão da futere cup em cima de vcs,além de ser campeão do principal título da categoria-a copa do Brasil sub 17.

  5. Bruno Burlamaqui says:

    Carlos Chaba e Carlos Silva são a mesma pessoa, certo?

    Sobre o Paulista sub-17, o São Paulo jogou a classificação no lixo. Dominava claramente o jogo… Criava e pecava bisonhamente nas finalizações… Ficou com um homem a mais em campo… Conseguiu marcar o 1-0 que lhe dava a vaga… Mas o inacreditável aconteceu: absurdo ter tomado aquele gol de empate. A partir daí, não teve mais jogo. Não dá nem pra analisar nada. O time se perdeu todo; se desarmou completamente defensivamente; Ewandro deu brecha e o juiz aplicou a lei da compensação, expulsando-o também; e morreu nos contra-ataques.

    3-1 pro Santos que era pra ser uns 3-0 pro São Paulo ou mais. Mesmo com quatro desfalques, já que o Cavalcante já está profissionalizado, fomos e ainda somos superiores a este fraco time /96 do Santos, que só tem o goleiro, John, como bom jogador. O tal Fernando Medeiros, de estatura no máximo mediana e entroncado, tem boa técnica, mas me parece meio mortão, tal como o Allan, do sub-20 do Tricolor.

  6. Verdadeiro says:

    Eu sabia que a desculpa seria os desfalques!
    E o grupo onde fica? Os outros não tem qualidades para levar o São Paulo adiante?
    Ver jogadores pouco badalados como Fernando, Nathan e o Caio, terem uma boa atuação contra os badalados de Cotia, mostra que ainda o futebol se resolve dentro de campo!

  7. Gabriel Fuhrmann says:

    O que isso tem a ver com uma matéria sobre a Copa São Paulo? E não vi ˜fumo” nenhum. Vi uma partida na qual o São Paulo dominou e vacilou em Cotia e depois, mais um bom jogo na Vila, mas o São Paulo estava muito desfalcado, sem contar com Boschillia, Joanderson, Auro, Gustavo Hebling, Lucão, que foram os jogadores que levaram o time até essa fase. No entanto, o Santos só não tinha Thiago Maia, que é um ano mais novo e o Gabigol, que praticamente não jogou pelo sub-17 esse ano, então não sentiu tanto.

  8. Verdadeiro says:

    Do fumo que o São Paulo levou do Santos no sub 17 vc não diz nada???

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