O torcedor de verdade está no sofá

Hoje o Campeonato Brasileiro 2013 iria acabar e a rodada seria emocionante. Muitos confrontos tinham tudo para serem eletrizantes.

Um Criciúma louco pra fugir do rebaixamento visitava um Botafogo atrás de uma palpável vaga na Libertadores. O Fluminense tentando escapar da Série B que nunca pagou, visitava o Bahia, com sede de ser carrasco do tricolor carioca. E talvez o mais emocionante deles: o Vasco precisando de um milagre visitava o Atlético-PR, precisando do resultado positivo pra pegar a vice-liderança e conseguir a vaga direta na Libertadores.

A emoção poderia tomar conta de maneira positiva, mas não foi isso que aconteceu. O estádio com capacidade pra pouco mais de 20 mil pessoas não chegou nem perto de lotar e há um motivo claro porque o torcedor de verdade estava no sofá e esses, que sequer conseguiram lotar um estádio para 22.400 pessoas, estavam lá.

Com o jogo em 1 a 0 para o Atlético-PR, as “torcidas” que sequer lotaram o estádio em um jogo que tinha tudo pra ser incrível, correram uma em direção a outra para simplesmente brigar.

As cenas vistas no estádio estão longe de um jogo de futebol: em um lance é possível ver um grupo de “torcedores” do Atlético-PR agarrar um único “torcedor” do Vasco, que tentava escapar (depois de ter ido em direção a pancadaria) derruba-lo e espanca-lo. Outro, do Furacão, toma um nocaute e também é espancado.

Três foram para o hospital, um transportado de helicóptero. A PM joga a culpa em uma suposta segurança privada contratada pelo Atlético-PR e outros jogam a culpa na PM. Enfim, a culpa é de quem brigou.

No duelo entre o Furacão e o Vasco quem brigou e foi afetado pela briga, quis brigar. Não importam quantos amigos, familiares, entre outros venham falar que os feridos eram inocentes, eram pessoas bem. Não eram, porque foram atrás de briga. Foram ao estádio brigar.

O torcedor de verdade, aquele que queria sentir a emoção do jogo, sentiu a emoção do seu sofá, pelo pay-per-view e comendo uma refeição saborosa a um preço justo, incluindo uma boa cerveja, que foi proibida do estádio e vejam só, não diminuiu um décimo as brigas. Os poucos que se arriscaram indo ao estádio, aproveitaram uma pipoca gelada, um refrigerante quente, um assento mal-cuidado.

Esse cara que ficou em casa é torcedor de verdade. É ser humano de verdade, uma pessoa consciente, que sabe dar o valor certo as coisas. Os que estavam lá não eram torcedores, muito embora se chamem de torcida organizada e recebam ingressos de seus respectivos clubes.

Graças a Deus, nem o torcedor de verdade e nem esse que foi ao jogo entre Atlético-PR e Vasco neste domingo vão estar na Copa do Mundo. Um não vai querer ir e o outro nunca vai comprar ingresso, já que só vai pra jogos brigar e porque ganha sua entrada do clube.

Brigas no estádio? Só quando os clubes pararem de incentivar os vândalos que insistem em se chamar de torcedores.

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base.
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One Response to O torcedor de verdade está no sofá

  1. Flávio Pintor Romero says:

    Futebol não é sério. Foram inúmeros casos este ano, até com morte, infelizmente.
    Prender estes desqualificados não é a unica solução. O clube também precisa ser punido.
    Perda de pontos considerável (acima de 10), descenso (em caso de morte do torcedor).
    Neste caso específico, imagina o Atlético perder 10 pontos, sairia fora da libertadores. O Vasco, mesmo sem jogar, já iniciaria a série B em ultimo (- 10 pontos) e dificilmente subiria no mesmo ano. Para os dois clubes representaria uma perda acentuada de receita, além de um duro golpe na imagem.
    Reforma da legislação esportiva deve ser imediata. Torcida “organizada” não deve existir. Sem dinheiro e “vantagens” desaparecem.

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