Jogador de futebol ganha muito?

Há muito se diz que jogadores de futebol ganham muito dinheiro, mas será que isso realmente condiz com a realidade? Será que os jogadores de futebol estão ricos, milionários sem fazer muito esforço, como dizem por aí?

Precisamos primeiro fazer algumas contas e para não ficar absurdamente grande, vamos ficar presos aqui no Brasil.

O Campeonato Nacional do Brasil possui quatro divisões atualmente: A, B, C e D. As três primeiras possuem 20 times cada e a última tem 41. Isso, no total, corresponde a 101 times.

Precisamos agora dar um padrão para o que pode ser considerado um salário milionário, que tal R$ 30 mil mensais? Parece justo.

Não é difícil de perceber que apenas a elite do futebol (salvo rebaixamentos atípicos) tem condições de pagar salários acima de R$ 30 mil, mas o investimento em material humano está diretamente ligado ao sucesso dos times, logo, com certeza não são todos os 20 times que podem pagar esses salários.

Disso, podemos tirar que os 12 times de maior torcida do Brasil tem condições de pagar um salário acima de R$ 30 mil para todo o seu elenco principal, de 30 jogadores e raramente pagam tudo isso para todos eles, já que existem muitos recém-integrados das categorias de base, que tem salário restrito (em alguns, não todos) entre 5 e 12 mil mensais.

Por essa conta podemos dizer que 12 times x 30 jogadores = 360 jogadores. Então 360 é o número de jogadores da divisão nacional que recebem mais de R$ 30 mil mensais. Desses 360, apenas 8.5% recebe o valor quase astronômico de mais de R$ 140 mil e isso dá cerca de 30 jogadores.

Logo, considerando apenas o Campeonato Nacional, existem 3.030 jogadores e a parcela de 30 recebendo mais de R$ 140 mil por mês. No entanto, sabemos que essa conta ainda não está muito próxima da realidade, pois pelo levantamento do bom-senso, existem mais de 400 clubes prontos para disputar uma possível quinta divisão do Campeonato Brasileiro e não estamos considerando nenhum campeonato regional, o que só em São Paulo marcaria outros 100 clubes, o que significaria outros 3000 jogadores.

Podemos por isso, dizer que há facilmente mais de 20 mil jogadores profissionais no Brasil e uma parcela de menos de 1% recebendo salários milionários e pasme, mais de 95% recebendo um salário mínimo ou menos. Se você parar para pensar, essa não é a mesma ou até uma proporção pior do que a sua profissão?

Eu vejo como jornalista. Eu recebo um salário que não está nem próximo do William Bonner, por exemplo. O Bonner, apresentador do maior telejornal do país, certamente recebe mais de um milhão de reais por semestre e podemos classificar diversos outros, como Datena, Milton Neves e também grandes radialistas e mitos do jornal impresso, que certamente recebem mais de R$ 200 mil.

Não é difícil perceber que uma pequena parcela recebe uma fortuna por MÉRITO! Isso, o sistema de remuneração funciona em meritocracia e os melhores realmente vão receber mais. O Bonner não ganha uma fortuna porque o mundo é injusto comigo, ele ganha muito dinheiro porque ele é um dos melhores na área e o mesmo vale para os jogadores.

Por mais que a gente os considere ruins ou abaixo do nível esperado, temos que admitir que se apenas uma parcela de 360, entre mais de 20 mil, consegue chegar no alto nível para atuar em qualquer time grande o jogador com certeza deve ser muito bom e deve ter batalhado muito pra chegar aonde chegou.

“Mas o Cristiano Ronaldo recebe muito mais que isso, Gabriel”. O Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do mundo, há anos ele está entre os top 3 do mundo e se só no Brasil você encontra mais de 20 mil atletas profissionais, imagina ser o melhor entre centenas de milhares de atletas profissionais espalhados pelo mundo? Para poder comparar com o jornalismo é simples, compare o salário do Bonner com o da Oprah Winfrey, embora sejam áreas levemente diferentes.

E pra não dizer que é a mídia, na publicidade vemos a mesma situação. Os melhores Diretores de Criação, Marketeiros e Diretores de Arte, nunca vão trabalhar por menos de 100 mil reais. Claro, estamos falando de pessoas premiadas em Cannes e donos de peças premiadas, mas seus rostos não estão na televisão.

O problema é que a “extravagância” dos atletas fica escancarada, talvez por muitos serem de origem humilde, talvez pela mídia gostar de explorar o assunto ou talvez por não sabermos valorizar moralmente o esforço físico, tanto quanto valorizamos o esforço intelectual ou por não conseguirmos enxergar a intelectualidade no esforço físico.

A lógica fica clara: para ser um dos 360 de 20 mil, com certeza não é fácil. É um trabalho que nasce na infância, que exige regras alimentares, físicas, treinos, suportar uma pressão absurda de torcedores, familiares e do próprio clube. Se fosse fácil passar por tudo isso, com certeza 99% chegariam no topo e 1% fracassaria, não o contrário.

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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