Nossos dirigentes são velhos, gagás, ambiciosos e ultrapassados

O futebol brasileiro está morrendo aos poucos. Pode não ser agora, nem daqui 15 ou talvez 20 anos, mas já faz tempo que o futebol brasileiro não inova e por isso vai morrer a cada geração.

Não fosse a luz de um Neymar ou Lucas. De um Ronaldinho ou Kaká. De um Fenômeno ou Rivaldo. Se não fossem essas crianças que nascem do nada e surgem do nada, sem treinamento, sem condições, apenas no improviso e talento natural. Se não fosse isso, hoje o Brasil seria um Haiti do futebol mundial.

Vejam, não estou dizendo que a Seleção é um lixo. O talento natural e a camisa fazem com que o Brasil seja uma Seleção razoável. Seja até quarta colocada do Mundial e ganhar torneios, mas se compararmos a seriedade dos trabalhos, nossa Seleção fica bem parecida com o o IDH do nosso país.

Após uma Copa frustrante estão culpando Felipão, que taticamente não apresentou nada. Se nosso problema fosse só trocar o treinador seria fácil demais. A Seleção tem males muito além na sua diretoria.

Não muito tempo atrás, nosso presidente José Maria Marín, um garoto promissor de apenas 80 anos, disse a seguinte frase: “o futebol de base não é problema nosso”. Foi apenas uma tentativa ridícula de isentar sua entidade de um trabalho sobre o qual tem obrigação de fazer.

O presidente fala isso e ainda tem coragem de dizer que Diego Costa é persona non grata na Seleção Brasileira por aceitar a convocação para a Espanha. Dá pra acreditar na hipocrisia? A CBF não faz nada pelo futebol brasileiro e ainda tem coragem de reclamar quando alguém que representa o futebol brasileiro não quer fazer algo por ela.

Antes de chamar o Diego Costa de persona non grata, seria bom Marín dar uma volta em Sergipe e ver todos os trabalhos incríveis que a Confederação Brasileira de Futebol fez por lá em todos esses anos de entidade.

Com tudo que o futebol brasileiro fez pela CBF, o mínimo aceitável seria a entidade dar algo de volta. Não só para o povo, mas justamente para o próprio futebol nacional.

Enquanto nosso presidente solta a bomba de encontrar, cuidar, produzir e desenvolver jogadores única e exclusivamente para os clubes, outras confederações como Holanda, Alemanha e Espanha dividem esse trabalho de maneira exemplar.

O melhor de todos os trabalhos talvez seja o da Alemanha, que encontra os garotos e passa a cuidar de todos eles desde os 7 anos de idade. Não é coincidência que 8 dos convocados da Seleção germânica tenham estudado juntos.

Desde os 7 anos trabalhado os jogadores para jogarem como a Seleção joga. Para jogarem na Seleção. Para desenvolverem funções básicas como passe, cruzamento, chute e trabalho em equipe. Enquanto isso, no Brasil, os clubes que precisam vender os jogadores para pagar contas, tentam explodir qualquer atleta individualmente para uma venda de números altos.

Fosse a CBF preocupada com o futebol, quem sabe algo fosse possível para que houvesse algum trabalho sério. A Seleção ainda pode ser campeã mundial, pode acontecer em 2018, em 2022 ou 2026, mas por méritos únicos de algum Neymar da vida, não por nosso sério trabalho pelo título.

Se for campeã, a Alemanha terá o fruto de um trabalho que começou na Copa de 2002. De um trabalho que preparou um time.

O Brasil quer ser a potência do futebol mundial? Então tem que mudar a mentalidade. Nossos dirigentes são velhos, não fazem a menor ideia do que estão fazendo, do que tem que fazer ou do que estão fazendo e pensam única e exclusivamente em como podem fazer mais dinheiro para seus próprios bolsos.

Exploram os clubes. Exploram os jogadores. Exploram a torcida e nunca dão nada em troca. Dói dizer isso, mas Andrés Sanchez, quando diretor da nossa Seleção, sabia o que estava fazendo. Quando pediu para fazer um trabalho integrado entre sub-15, sub-17 e sub-20, ele sabia o que estava fazendo. Não existe essa pessoa hoje na CBF, só existem velhos gagás, ambiciosos e muito ultrapassados.

Os trabalhos de base ficaram a esmo desde a saída de Ney Franco e vão ficar assim por muito tempo. Não tenham qualquer ilusão com um título sub-20, sub-17 ou sub-15. Isso quer dizer apenas que temos jogadores talentosos e o trabalho de base não visa apenas títulos, visa formar times, jogadores para jogarem na Seleção principal e foi isso que a Alemanha, Holanda, Espanha, Itália e até Suíça e Costa Rica fizeram.

Pra ser força dominante no futebol o Brasil tem que aprender a trabalhar sério, mas convenhamos, na terra onde o futebol é bom por ser “esperto e malandro” isso nunca vai acontecer.

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base.
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