Não é só cocaína, exames de Jon Jones apontam níveis suspeitos de testosterona

O campeão dos meio-pesados recebeu apoio do UFC após exame flagrar uso de cocaína, mas será que a organização vai manter o discurso com o possível doping com testosterona?

Essa semana foram revelados ao público os três exames de urina pelo qual passou o campeão dos meio-pesados do UFC, Jon Jones. Curiosamente, dois dias após ele conseguir manter o cinturão em uma luta com seu desafeto Daniel Cormier.

Os exames flagraram a substância benzoilecgonina, principal metabólico da cocaína. O UFC já mostrou que não tem muito critério com seus lutadores, já que chegou a demitir atletas por uso de maconha, mas apenas aplaudiu Jon Jones por buscar a reabilitação, sem aplicar qualquer sanção, apesar do edital da organização ser bem claro sobre desaprovar (não permitir) que seus funcionários usem drogas ilícitas.

Não vou entrar no mérito de se cocaína deveria ser considerada doping fora do período de competição, uma vez que é metabólico, pode auxiliar na perda de peso e em outros pontos, por exemplo e muito menos questionar se o tempo considerado competição não é curto demais (12h antes e 12h depois da luta) para atletas do UFC, que fazem períodos de treinamentos de cerca de três a quatro meses para cada luta e ainda tem uma pesagem 24h antes do evento.

Não vou fazer isso porque os exames de Jon Jones mostraram uma suspeita de doping esportivo muito séria e essa sim proibida pela WADA. Segundo Victor Conte, fundador dos laboratórios BALCO, os exames apresentaram taxas de testosterona:epitosterona anormais, que indicam a possibilidade do atleta estar em um ciclo para mascarar o uso de drogas para melhorar a performance.

*Para quem não sabe, esse laboratório é responsável pelo desenvolvimento e distribuição de drogas em um dos maiores casos de doping esportivo da história, envolvendo atletas da NFL, MLB, Boxe, Judô, Atletismo e Ciclismo

Conte explica que essa taxa costuma variar e tem até diferentes números para diferentes etnias. Por exemplo, asiáticos costumam ter 0.76:1, brancos 1.2:1 e negros 1.3:1, no entanto, os números de Jon Jones estavam bem abaixo desses nos três exames aplicados no mês de dezembro: 0.29:1, 0.35:1 e 0.19:1.

Levando em consideração que são atletas, a Comissão aceita níveis até 6:1 e acima disso passa a considerar a hipótese de doping. Foi assim no caso de Overeem (14:1) e Sonnen (17:1).

No entanto os níveis de Jon Jones tiveram variação para baixo, diferente dos dois casos. Nesse tipo de situação fica a suspeita de que o atleta tentou mascarar o doping. Para se ter uma noção, Justin Gatlin, atleta olímpico americano pego dessa forma, foi detectado com 0.5:1, o que ainda é mais próximo do normal do que o nível flagrado no campeão do UFC.

Além dessa alteração completamente anormal para um atleta de elite, no segundo teste (refizeram o primeiro por considerar a urina aguada), Jones apresenta o nível de testosterona 1.8 ng/ml, enquanto em um ser humano normal o padrão é entre 3.5 ng/ml e 10 ng/ml, o que por si só já é estranho, considerando esse um atleta de elite. No último teste, que não mostrou a presença de cocaína, Jones teve alterações absurdas. Seu T:E chegou a 0.19, o que é incrivelmente baixo. O nível de testosterona subiu 2.7 vezes, mas o de epitestosterona aumentou mais de 4 vezes em relação as avaliações anteriores.

Segundo Victor Conte, para as comissões e laboratórios, qualquer variação de mais de 30%, tanto para epitestosterona, quanto para testosterona, em um período de poucos meses, é considerado um alerta vermelho para doping. No caso, Jon Jones teve do segundo para o terceiro teste, com diferença de apenas duas semanas, um aumento de mais de 400% em epitestosterona e 200% em testosterona. Isso não parece normal.

O que o UFC deve fazer, em vez de aplaudir o seu atleta? Pedir um exame conhecido nos Estados Unidos como CIR – Carbon Isotope Ratio -. Basicamente essa análise vai mostrar se os níveis de Bones tiveram uma alteração gerada de forma artificial ou pelo seu próprio corpo. Esse exame deve ser feito com a própria urina coletada para os exames de dezembro.

Em algumas semanas os resultados dos exames antidoping da luta entre Jones e Cormier serão divulgados e podem apresentar novos dados para essa discussão. Por enquanto, tudo temos uma suspeita de doping, a qual o próprio UFC e a Comissão Atlética tentam abafar.

Eu não sou nenhum endocrinologista ou qualquer coisa do tipo, mas com uma denúncia feita por um especialista do porte de Victor Conte, antes de mais nada, pelo bem da integridade do esporte, é preciso fazer outros testes com as amostras de urina de Jon Jones.

Veja as imagens dos exames

 

 

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base.
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