Análise e Atuações: São Paulo 1 x 0 Cruzeiro

Tricolor venceu o Cruzeiro jogando em um Morumbi lotado, por 1 a 0 e levou vantagem para o jogo de volta das oitavas de final da Libertadores. Confira a análise e atuações:

Na noite desta quarta-feira o São Paulo jogou como há muito tempo não jogava. Foi um time que buscou o gol, que teve ofensividade, brio e muita vontade de vencer. Qualquer um dos mais de 66 mil torcedores que compareceram ao Morumbi, pôde ver um time diferente do que se apresentou ao longo desse primeiro semestre de 2015.

Centúrion e Fábio, as estrelas da noite no Morumbi (foto; globoesporte.com)

Centúrion e Fábio, as estrelas da noite no Morumbi (foto; globoesporte.com)

Ao contrário de muitos jogos, nos quais o São Paulo pecava por tocar demasiadamente a bola e finalizar pouco, dessa vez o tricolor foi incisivo e obrigou o goleiro adversário a fazer grandes defesas. Bem diferente do time que, não só conseguiu passar em branco no placar em quatro clássicos estaduais seguidos, como ofereceu pouco perigo aos rivais.

Mesmo desfalcado de seu principal homem de criação, Michel Bastos, responsável nas outras partidas por roubar a bola e buscar alguma jogada, o tricolor contou com um jogo mais coletivo e um lado direito inspirado, para pressionar o Cruzeiro e colocar o time mineiro dentro da sua área. Foi domínio praticamente total dos donos da casa.

Depois de perder grandes chances, quase todas em jogadas aéreas, o tricolor acabou premiado com um gol de Centúrion, de peixinho. Coincidência ou não, foi dessa forma que o São Paulo saiu do sufoco nas outras duas vezes: Michel Bastos contra o San Lorenzo, no Morumbi e o próprio Centúrion, contra o Danúbio, no Uruguai.

O jogo de volta, com 1 a 0 e boa vantagem de não ter levado gol em casa, será muito difícil, mas vale lembrar que o São Paulo terá as importantes voltas de Michel Bastos, Luis Fabiano e Hudson (além de Dória). Os dois primeiros podem ser vitais, Michel Bastos é o principal jogador do time e o Luis Fabiano uma referência de área e se a zaga cruzeirense der de novo esses espaço em cruzamentos, ele é do tipo que não costuma perdoar.

A vitória poderia ter sido mais gorda, a vantagem poderia ter sido melhor, mas sinceramente, poucas coisas podem ser melhores do que ver o time voltar a jogar futebol.

Atuações:

Rogério Ceni: 6

Poderia até deixar o goleiro sem nota. O Cruzeiro apareceu poucas vezes no ataque e até levou algum perigo em alguma delas, mas não conseguiu praticamente nenhuma finalização certa. A participação de Rogério ficou limitada a algumas defesas consideradas fáceis.

Bruno: 8

Que partida surpreendente do lateral-direito Bruno. Já teve atuações péssimas, mas cresceu muito no jogo de hoje. Foi muito bem na marcação de Willian e Mena e principalmente quando tinha Centúrion jogando pelo seu lado, foi ótimo ofensivamente. Acabou coroado com o cruzamento para o argentino marcar, depois de já ter acertado outro no primeiro tempo, no qual Fábio fez grande defesa na cabeçada do hermano.

Tolói: 7

Não quis se comprometer e deu vários bicões, mas de forma geral esteve seguro na zaga e arriscou algumas subidas ao ataque. Sofreu um pênalti não marcado, em lance no qual quase marcou de cabeça.

Lucão: 7,5

Prejudicado por ficar do lado de Reinaldo, que é tecnicamente muito deficiente, foi bem em diversos lances e acabou aparecendo mais do que Tolói, ganhando dos atacantes cruzeirenses até na velocidade. Leandro Damião não conseguiu ganhar do jovem zagueiro do São Paulo.

Reinaldo: 5

A deficiência técnica é sempre visível quando Reinaldo tenta alguma jogada. Seu chute que foi no gol, na verdade foi um escorregão. Na defesa, deixou Mayke passar várias vezes, complicando a vida de Lucão. Melhorou no segundo tempo e até apareceu bem no ataque, mas quando de onde não se espera nada, é que não sai nada mesmo.

Denilson: 6

Não faltou vontade ao volante tricolor e dessa vez ele fez seu dever: diminuiu o espaço do meio-campo adversário, ainda assim, foi displicente em alguns lances e errou passes simples, que armaram contra-ataques.

Souza: 6,5

Surgiu bem no ataque algumas vezes, mas apareceu mais na marcação, principalmente na segunda etapa. Esteve mais vivo no jogo e ativo no meio-campo do que em outras oportunidades.

Wesley: 5

Foi destaque negativo do jogo, simplesmente não conseguiu acertar suas jogadas. Não acertou nenhum chute, errou passes fáceis e tomou decisões equivocadas. Estava em uma noite muito ruim, quando fazia dupla com Reinaldo era péssimo, quando ia para o lado direito até melhorava, mas pouco.

Ganso: 6

Buscou mais o  jogo do que em outras ocasiões e fez algumas boas jogadas, ainda assim pode render mais. Hoje o time se mexeu bastante, mas não conseguiu dar a qualidade necessária para o último passe, não por falta de vontade, mas porque simplesmente não deu certo.

Centúrion: 8,5

Talvez o jogador com mais vontade em campo. É verdade, errou o último drible em muitas jogadas, como de costume, mas buscou muito o jogo. Fábio fez dois milagres em jogadas do argentino e a própria perna esquerda acabou tirando a bola da direita em um lance criado por ele, mas o hermano, com justiça, acabou premiado com o gol da vitória.

Pato: 7

Responsável por duas das grandes chances do jogo, uma defendida por Fábio e outra em que a bola foi no travessão, apareceu bem. Se movimentou muito dentro e também fora da área e teve sintonia com Centúrion. Apesar de ter errado algumas jogadas e matado um contra-ataque do São Paulo no final, teve boa atuação.

Boschilia: 7,5

Jogou só 25 minutos e fez a diferença. Participou da jogada do gol e no final, ainda ganhou de Willians na velocidade e armou um contra-ataque fantástico para o tricolor, desperdiçado por Pato.

Rodrigo Caio: sem nota

Entrou muito no final.

Milton Cruz: 7,5

O esquema com três volantes continua funcionando bem para o meio-campo do São Paulo e colocar Wesley para fazer a função de Michel pelo lado esquerdo até parecia boa ideia, mas o jogador não correspondeu. Não teve medo de colocar Boschilia no lugar do ex-palmeirense e acertou.

Time: 9

A nota maior vai para o time como um todo. Apesar das deficiências técnicas e das falhas individuais, não dá pra negar que esse é o São Paulo mais próximo do que a torcida gostaria de ver. Um time que tem vontade de vencer, que busca o gol. Se conseguir manter esse nível de jogo, vira sim forte candidato em qualquer competição que jogar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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