Conhecendo o adversário: Uruguai, desafio de verdade

Desde antes de começar o Mundial sub-20, eu já venho falando que não devemos ter grandes expectativas com a Seleção Brasileira. O trabalho não foi bem executado por Alexandre Gallo e com a demissão do treinador, substituído por Rogério Micale, acabou se tornando um projeto remendado para a competição.

No entanto, o Brasil surpreendeu positivamente. A equipe passou da primeira fase com 100% de aproveitamento, inclusive vencendo a poderosa Nigéria, campeã mundial sub-17 de 2013.

O desafio dessa vez é contra um velho conhecido sul-americano: o Uruguai. Vamos conhecer mais sobre eles neste post.

Brasil e Uruguai se enfrentam às 4h30 desta madrugada de quarta para quinta-feira.

Uma Seleção manteve o trabalho e evolui, já a outra…

Uruguaios comemoram vitória sobre o Brasil Sul-Americano sub-20

Uruguaios comemoram vitória sobre o Brasil Sul-Americano sub-20

Com clima conturbado pelos acontecimentos recentes, esse não parece ser o melhor momento para o Brasil se mostrar melhor que os adversários fortes, mas a Seleção já surpreendeu vencendo a Nigéria e pode fazer de novo batendo o Uruguai.

Para quem não lembra, essa geração do Brasil apareceu arrasadora em 2011, atuando no Sul-Americano sub-15. Na época a Seleção foi campeã invicta com show de jogadores como Mosquito, Yan Petter, Matheus Índio e Robert e o Uruguai foi presa fácil, goleado por 4 a 0 na última partida.

No entanto, como esperado, a Seleção que contava muito com a força física e até perdeu um jogador (Heitor Baiano confessou ter adulterado seus documentos, revelando ser cinco anos mais velho do que dizia), não correspondeu às expectativas no sub-17. Venceu o Uruguai, é verdade, mas foi um apertado 1 a 0 no segundo jogo e um empate em 1 a 1 no primeiro. Bastante diferente do que aconteceu em 2011.

No Mundial sub-17 daquele ano, em franca ascenção, os uruguaios só perderam para a Nigéria, que terminou campeã e o Brasil teve mais uma convocação cheia de incertezas e contou com o talento de Boschilia e Nathan para não decepcionar tanto, sendo eliminada pelo México, vice-campeão, após mais de 20 cobranças de pênaltis.

No sub-20, o que parecia claro, se tornou palpável. Uma Seleção manteve um trabalho e acrescentou novos nomes, enquanto a outra teve mudanças de gestão, de convocação, interesses e simplesmente caiu bruscamente de rendimento. De uma vitória fácil no sub-15, o Brasil passou a não conseguir superar o Uruguai no sub-20.

No Sul-Americano foram dois confrontos, com uma vitória uruguaia e um empate. Na primeira fase foram eles quem passaram fácil pelo Brasil, com gols de Gastón Pereiro e Mauro Arambarri (ambos estão no Mundial) e no segundo jogo, foi o Brasil quem arrancou um empate sem gols.

Os astros do time

O Uruguai tem vários nomes importantes para serem destacados e certamente é um dos adversários mais perigosos do Mundial. Sim, eles tem grandes chances de eliminar a Seleção Brasileira nessa madrugada.

Franco Acosta e Gastón Pereiro comemoram

Franco Acosta e Gastón Pereiro comemoram

O primeiro deles é Franco Acosta, um artilheiro nato. O jovem de 19 anos joga com a camisa 11, mas sua capacidade de fazer gols é digna de quem leva o 9 nas costas. No Sul-Americano sub-17 ele foi artilheiro isolado com oito gols, no Mundial daquele ano fez mais quatro e repetiu o feito de marcar quatro vezes no Sul-Americano sub-20 deste ano.

Na atual edição do Mundial, Acosta, que assinou com o Villarreal por cinco anos e meio no começo de 2015, marcou contra Mali, no jogo que garantiu a classificação para enfrentar o Brasil nas oitavas de final.

Facundo Castro recebe abraço de Gastón Pereira

Facundo Castro recebe abraço de Gastón Pereira

Outro que gosta de marcar muitos gols, mas na verdade é o grande motor de jogadas da equipe, é Gastón Pereiro, que já atua entre os profissionais do Nacional-URU desde 2013 e foi artilheiro da Seleção no Sul-Americano sub-20 com cinco gols.

O jovem, que completa 20 anos no dia do confronto contra o Brasil, com justiça veste a camisa 10 Celeste e quase já defendeu outra equipe que leva o apelido: em março foi sondado pelo Cruzeiro, mas o Nacional recusou a proposta do time mineiro.

A tríade uruguaia fica completa com Facundo Castro, responsável por fazer o famoso inferno nas defesas adversárias. Normalmente aparecendo pelo lado do campo, junto com Pereiro e Acosta, causa muitos problemas.

Os mais jovens e mais promissores

Vale também mencionar o jovem Ramiro Guerra, de apenas 18 anos, que é companheiro de Acosta no Villarreal e é um meio-campista que pode fazer tanto a função de marcador como armador, atuando como segundo volante é um diferencial do time.

Outro bem jovem é o atacante Rodrigo Amaral, que também nasceu em 1997. Rodrigo, que gosta de atuar pela direita, é constantemente elogiado pelo técnico Fabian Coito, considerado pelo próprio treinador o mais promissor do elenco.

Ele joga no Nacional e coleciona prêmios individuais, como artilharias dos campeonatos de base do Uruguai e eleições de melhor jogador de quase todos os torneios que participa. No Sul-Americano sub-20 de 2015, por exemplo, foi eleito o jogador revelação.

Uma história no mínimo curiosa (o Andréas Pereira deles)

Diego Poyet com o Uruguai

Diego Poyet com o Uruguai

O Uruguai tem um jogador “multinacional”, Diego Poyet, que é filho do ex-meia e atualmente treinador Gustavo Poyet.

Com pais uruguaios, Diego é um espanhol de Zaragoza, pois em 1995, quando ele nasceu, seu pai defendia a equipe que leva o nome da região: Real Zaragoza. No entanto, em 1997, Gustavo e sua família mudaram para a Inglaterra, quando Gus, que se tornou ídolo na Espanha, foi contratado pelo Chelsea.

O meia acabou fazendo carreira na terra da Rainha, ficando no Chelsea até 2001 e posteriormente encerrando sua carreira no Tottenham, em 2004. Em março desse ano, Gus Poyet foi demitido do comando técnico do Sunderland.

Sendo assim, o jovem Diego Poyet, que hoje atua como volante, nasceu na Espanha, com pais uruguaios, mas foi criado na Inglaterra e se tornou elegível para defender qualquer uma dessas três Seleções.

Diego sempre afirmou se considerar inglês e atuou pelo English Team no sub-16, no sub-17 e no sub-19. Ele inclusive estava com a Seleção para a Eurocopa da categoria, mas conversou com o treinador sobre sua situação, sua vontade de defender o Uruguai e acabou liberado, aceitando posteriormente a convocação Celeste.

A história de Poyet é muito parecida com a de Andréas Pereira. O meia brasileiro também é filho de um ex-jogador, no caso Marcos Pereira, que fez a carreira fora do Brasil. Ele nasceu na Bélgica, passou a infância na Holanda, onde defendeu o PSV e a adolescência na Inglaterra, onde atua pelo Manchester United. Assim como Diego defendeu a Inglaterra, Andréas também defendeu a Seleção belga no sub-16, no sub-17 e no sub-19.

Atuando como volante, mas sempre caindo mais pelo lado esquerdo, às vezes inclusive fazendo a função de lateral-esquerdo, Poyet é titular da Seleção Uruguaia.

Estilo de jogo

Uruguaios comemoram vitória sobre a Sérvia

Uruguaios comemoram vitória sobre a Sérvia

Trata-se de um time que teve um projeto todo junto. Com exceção de alguns jogadores, convocados apenas no sub-20 e mesmo assim com praticamente todos atuando também no Sul-Americano da categoria, o Uruguai manteve uma base que tem dado bons resultados.

A Seleção evoluiu bastante ofensivamente e com o comando de Gastón Pereiro vem mostrando um grande poder de ataque. Pereiro é o centro do jogo Celeste, é ele quem distribui quase todas as jogadas e quando isso não acontece, é ele quem os companheiros procuram para tentar qualquer coisa ofensiva. Com boas tabelas, muitas vezes o jovem aparece para finalizar com precisão.

A jogada mais comum é entre Pereiro e Castro, normalmente Castro, com sua simbólica camisa 7, cai pelo lado direito do campo e Pereiro invade a área. Os cruzamentos costumam ser precisos e complicar as zagas adversárias e isso acontece não só quando Pereiro faz a jogada, a bola aérea é uma das principais armas deles e o Brasil sofreu com isso no Sul-Americano.

Apesar de ser considerada uma força tradicional defensiva, essa Seleção do Uruguai, principalmente no Mundial, tem dado muitas brechas para os ataques adversários. A força, a raça e a pegada, são as mesmas que nós já conhecemos, chegam forte, mas em nível técnico e tático tem surpreendido negativamente. O que eles têm de qualidade na bola aérea ofensiva, têm de problemas na hora de defender a mesma jogada.

Quando uma equipe consegue com a bola rolando (não em escanteios ou faltas) chegar até a linha de fundo, o cruzamento normalmente leva muito perigo, pois os zagueiros raramente estão bem posicionados, sempre deixando buracos no meio da área e permitindo que um elemento surpresa apareça sozinho para marcar. Para o Brasil, talvez fosse uma oportunidade para Jean Carlos, do Real Madrid, mas com certeza, se avançar mais, será uma oportunidade e tanto para o meia Danilo, do Braga marcar mais um gol de cabeça no Mundial.

Outro problema perceptível é a lentidão, em tabelas e movimentações rápidas, a zaga uruguaia normalmente não consegue acompanhar e inclusive comete erros nas linhas de impedimento. Também abrindo uma possibilidade para Malcom, Marcos Guilherme e principalmente para bons lançamentos de nomes como Jajá e Andréas Pereira.

De qualquer forma, será um jogo difícil para as duas seleções e complicado até para quem gostaria de definir um favorito.

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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