Micale seja louvado, conseguiu o resultado perfeito

Na madrugada de sexta pra sábado, o Brasil foi vice-campeão mundial sub-20. O que pode parecer um resultado ruim, na verdade é incrível.

É um dos poucos casos em que conseguir o segundo lugar, é até melhor do que primeiro. Bem verdade, tanto os jogadores quanto o treinador mereciam o título, mas a CBF não. Micale fez milagre, dando padrão tático, toque de bola, como nunca se viu nas Seleções anteriores, de Gallo, tanto sub-17 como sub-20 e consertou um trabalho feito nas coxas pela Confederação.

A CBF, depois de tudo o que fez com a muito promissora geração 96 do Brasil, não poderia ter o direito de vestir esse título. A gente sabe que em vez de aprender com os erros, os dirigentes usariam isso para mascarar os absurdos que foram cometidos e para se gabar. Eles nunca ajudam, mas sempre se vangloriam das conquistas.

O problema não se resume à péssima convocação do técnico Alexandre Gallo ou a sua demissão, já com a equipe em preparação para a competição mais importante da categoria. A coisa vai muito além, lá no sub-15 e ao menos a princípio, Micale parece trazer um futuro mais próspero para as próximas gerações.

Um projeto de Mundial sub-20, tem que começar no Sul-Americano sub-15. O trabalho entre os treinadores das Seleções de base tem que ser integrados e aí morou um dos maiores problemas.

Da Seleção sub-15 do Brasil campeã do Sul-Americano em 2011, apenas três jogadores seguiram até o Mundial sub-20: o goleiro Marcos Felipe, do Fluminense, que foi reserva no Mundial, o zagueiro Lucão, do São Paulo e o volante Danilo, do Braga, na época no Vasco.

No sub-17 a situação foi bastante parecida, Marcos Felipe, Lucão, Danilo e dessa vez Boschilia são os únicos que chegaram até o Mundial sub-20. O motivo poderia ser outro que não o péssimo projeto traçado, como por exemplo o fato de o sub-20 ser a primeira categoria que pode contar com atletas nascidos em anos ímpares, mas a qualidade dos times de Gallo, que fez as convocações do sub-17 e do sub-20, motram que não.

Não houve um projeto contínuo, não houve padrão, não houve formação. O trabalho da Seleção não é só ganhar títulos, mas também ajudar no crescimento dos jogadores. É trabalho da CBF construir um projeto para cada geração, a próxima a chegar é dos 98, também muito talentosa e ainda dá tempo de salvar.

Deixando de fora que tanto CBF quanto CONMEBOL deveriam arrumar uma forma de dar chances aos jogadores nascidos em anos ímpares, parece que Micale e Damiane vem para fazer um trabalho diferente, mais próximo do feito por Ney Franco.

A ideia de ter uma pessoa que entende de base cuidando das Seleções amadoras é incrível. Em um só torneio Micale mostrou uma capacidade de gestão de jovens atletas muito melhor do que Gallo, que falhou nessa questão diversas vezes e por isso acabou perdendo a confiança dos seus comandados.

O mesmo pode se repetir nas Seleções sub-17 e sub-15, se Micale trouxe a bagagem adquirida nas bases do Figueirense e Atlético-MG, no sub-17 temos Carlos Amadeu, ex-base do Vitória e Della Dea, ex-São Paulo.

Em questão de experiência e conhecimento de gestão de base o Brasil está bem, resta torcer para que haja um trabalho integrado e que a alma, ofensividade e coração que o time sub-20 de Micale mostrou, contagie as outras gerações.

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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