Nossa safra é ruim? Final entre Argentina e Chile diz para termos calma

Argentina e Chile finalmente colhem os frutos dos Mundiais sub-20 de 2005 e 2007 e fazem a final da Copa América de 2015, depois de irem bem na Copa do Mundo de 2014

A final da Copa América será entre Argentina e Chile, as duas equipes estão finalmente colhendo os frutos das suas categorias de base, mais especificamente, de suas gerações de 85 a 89, que fizeram bonito nos mundiais sub-20.

Alexis Sanches no Mundial sub-20

Alexis Sanches no Mundial sub-20

Pro Chile são duas campanhas históricas, em 2005 a classificação para as oitavas de final, que já não vinha há quase 20 anos e em 2007 o inédito terceiro lugar, melhor colocação do Chile em um Mundial sub-20 até hoje.

Demorou, mas o Chile finalmente colhe os frutos desses dois times. Da Seleção que atua na Copa América, 12 convocados tinham idade para fazer parte dessas campanhas que marcaram as categorias de base do país e a maioria realmente estava.

São eles: Isla, Fuenzalida, Medel, Jara, Vidal, Matías Fernandez, Marcelo Díaz e Alexis Sanchez. Em 2010, na Copa do Mundo da África do Sul, esse Chile foi presa fácil para um bem mais experiente Brasil, que venceu por 3 a 0. Naquele jogo, válido pelas oitavas de final, já foram titulares Isla, Sanchez, Vidal e Jara.

No ano seguinte, disputaram a Copa América e perderam para a Venezuela por 2 a 1 nas quartas de final. Só em 2014 o time chileno passou a mostrar mais resultado, poderia ter eliminado o Brasil da Copa, se o chute de Pinilla não tivesse acertado o travessão e agora chegou com tranquilidade na final da Copa América.

Para a Argentina, a geração é ainda mais vitoriosa, conquistou o bi consecutivo da Copa do Mundo sub-20 e tinha muitos craques. Do time que está na Copa América, 15 atletas tinham idade para estar nas campanhas campeãs dos hermanos e os nomes que realmente estavam não são pouca coisa na atual Seleção.

Messi, o melhor do Mundial sub-20 de 2005

Messi, o melhor do Mundial sub-20 de 2005

São eles: Romero, Garay, Zabaleta, Gago, Biglia, Di Maria, Banega, Messi e Aguero. Sem contar que ainda poderiam estar jogadores como Otamendi, Lavezzi e Higuain.

Mesmo com tanta qualidade, a fase de transição para essa geração foi dolorosa para os argentinos. Em 2010, na disputa da Copa do Mundo, eles foram eliminados pela Alemanha, com direito a goleada: 4 a 0, só não foi mais por uma questão de sorte.

No ano seguinte o time teve uma vexatória participação na Copa América, mesmo jogando em casa. Só venceu um de quatro jogos, contra a Costa Rica, um dos adversários mais fáceis da competição e foram eliminados pelo Uruguai, nos pênaltis.

Aguero, destaque do Mundial sub-20 de 2007

Aguero, destaque do Mundial sub-20 de 2007

Apenas quatro anos depois, Messi, Aguero e Di Maria, tão criticados após as péssimas campanhas, encabeçam a lista de um trio de ataque dos sonhos de qualquer time do mundo.

E onde está a nossa geração que disputou os mundiais de 2005 e 2007? Infelizmente houve a perda de um grupo que não evoluiu como o esperado. Alguns, bem verdade, só passaram a ganhar chances na Seleção mais recentemente, talvez tarde demais para efetuar qualquer tipo de transição.

Em 2005 estavam no time nomes como Diego Souza, Arouca, Rafael Sóbis, Tardelli, Fábio Santos, além de Edcarlos, o goleiro Renan, do Goiás, Fellype Gabriel e alguns nomes que talvez a Seleção tenha demorado muito pra chamar, como os laterais Rafinha e Filipe Luís e o goleiro Diego Alves.

Em 2007 já tinhamos Alexandre Pato, Renato Augusto, o goleiro Cássio, Luiz Adriano, Carlos Eduardo e alguns que aproveitamos também, talvez tardiamente, como Willian, David Luiz e Marcelo.

Em 2005 ficamos em terceiro lugar, perdendo apenas para a Argentina, comandada por Messi e em 2007 fomos eliminados pela Espanha, nas oitavas de final. O time espanhol tinha jogadores como Juan Mata e Piqué.

No entanto, não é nessas gerações, talvez desperdiçadas, que devemos focar e sim nos grupos que mais se assemelham a essas turmas argentinas e chilenas, que hoje dominam a Seleção Principal.

Em 2009 fomos vice-campeões mundiais de forma invicta, perdendo nos pênaltis para Gana na final da competição. Os jogadores que saíram daquele time decidiram tomar rumos que para sua carreira junto a Seleção não estão entre os melhores, como Alex Teixeira, Douglas Costa, Giuliano, Diogo e Rafael Tolói ou simplesmente não se desenvolveram como esperado, caso do volante Souza, hoje no São Paulo.

Oscar decidiu o Mundial sub-20 de 2011 para o Brasil

Oscar decidiu o Mundial sub-20 de 2011 para o Brasil

Mas o que temos de mais próximo é a geração de 2011 do Brasil, que pôde se dar ao luxo de jogar o Mundial sem Neymar e Lucas e mesmo assim conquistar o título. Essa turma vem com tudo na Seleção e passa exatamente pela mesma situação que os hermanos e os chilenos passaram, com o adicional de não ter uma transição decente, não ter um Verón, um Heinze, um Samuel ou um Palermo para orientar.

Essa geração, mesmo que por faixa etária, esteve na Copa de 2014 e o peso foi todo nas costas de Neymar, quando ele saiu, sobrou para Oscar e Bernard, todos com 21 pra 22 anos. Na Copa América, mais jogadores dentro dessa faixa de idade já aparecem, como Coutinho, Casemiro, Firmino e claro, Lucas uma hora deve fazer parte da Seleção, além de Danilo e Alex Sandro, que com bom desempenho nos clubes, já cavam seu espaço na e Rafinha Alcântara, do Bayern.

O que a gente pode tirar então dessa final de Copa América e do time que vimos do Brasil no Mundial sub-20? Primeiro que as derrotas não são motivo para desespero, nem tudo é tão ruim quanto parece e segundo que devemos cuidar bem dessa geração, pois além de serem as atrações da Seleção pelos próximos anos, serão responsáveis pelo grande time que pode ser formado pelos jovens nascidos em 96, 97 e 98, como Gabigol, Boschilia, Andréas Pereira, Gabriel  Jesus, Gérson, Kenedy…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base.
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