Com atual gestão, São Paulo caminha para ser mais um Millonários na carreira de Osório

A diretoria do São Paulo não cansa de surpreender negativamente sua torcida e principalmente seu treinador, Juan Carlos Osório.

Juan Carlos Osório  - Foto: EFE

Juan Carlos Osório – Foto: EFE

Desde que chegou ao tricolor, o colombiano já viu Paulo Miranda, Souza, Denilson e Cafu serem vendidos e está próximo de ver o mesmo acontecer com o jovem Boschilia, que tem transferência quase certa para o Mônaco, da França.

Um saldo devedor gigantesco é a principal justificativa dada para o desmanche promovido pelos gestores do time do Morumbi. Só que mesmo com todas essas vendas, a situação financeira parece não melhorar, enquanto comissões suspeitas são cobradas e atletas contestáveis são contratados. O futebol, no meio disso tudo, fica cada vez mais fraco.

Por mais que a maioria dos jogadores não fossem de fato titulares do tricolor, para a forma que Osório tem de trabalhar, isso é um problema e tanto. O treinador tem como prioridade a rotação do time, mantendo assim os seus jogadores em grande forma física por mais tempo na temporada e atingindo melhores resultados a longo prazo.

O colombiano pode até estar surpreso com o que acontece no São Paulo, mas não é a primeira vez que uma diretoria atrapalha seu trabalho dessa forma. Em 2006 ele iniciou sua carreira no Millonários, a maior equipe do futebol colombiano e com uma grande expectativa em todo o país.

Há quase dez anos, Osório era principiante como técnico, mas tinha em sua bagagem a experiência curta como jogador profissional e da Seleção sub-20 da Colômbia, os diversos cursos na Inglaterra, na Holanda e nos Estados Unidos, incluindo a máxima graduação da UEFA e da Holanda para técnicos de futebol, e claro, seu trabalho como assistente técnico e preparador físico do Manchester City por cinco anos.

Apesar de toda a expectativa, o Millonários não foi campeão sob o comando de Osório, ainda por cima, foi ele quem comandou o período mais vencedor do maior rival, Atlético Nacional. Mesmo assim, o treinador é unanimidade no El Campin, estádio onde o Millonários manda seus jogos. Por que?

Os próprios torcedores explicam que Osório era uma pessoa incrível e tinha uma mentalidade grande para o Millonários, mas a diretoria não permitiu que o trabalho fosse feito da maneira correta.

No empate entre Millonários e Once Caldas, no último domingo, pude ouvir de vários torcedores praticamente a mesma versão de uma história, que a cada vez que é contada, mais se parece com o que o treinador irá viver na equipe brasileira.

Osório iniciou seu trabalho com uma campanha impecável, recuperando uma equipe que estava em um péssimo momento e praticamente tirando o foco de uma imensurável briga de bastidores entre pessoas importantes do clube. Venceu cinco partidas seguidas, levou o time para a Copa Sul-Americana, mas os diretores pareciam não entender a maneira do treinador trabalhar.

Osório era muito criticado publicamente por diversos dirigentes do Millonários, incluindo o presidente. Ele tinha uma base titular, mas gostava de fazer a rotação do time, segundo os diretores do clube e boa parte da imprensa, de forma demasiada.

Por conta disso, viu peças de menor expressão serem vendidas com a justificativa de que tinham boas propostas, que ajudariam na saúde financeira do clube. Começou então a ser cobrado por resultados mais expressivos e pressionado para colocar jogadores específicos como titulares sempre, indo contra a sua própria filosofia.

Na imprensa, diversos “experts” iam contra o que diziam torcedores, os próprios jogadores e os resultados. Enquanto todos os atletas se mostravam encantados com os métodos de treinamento, inclusive os treinos físicos de Osório e a torcida, por sua vez, também tinha o mesmo sentimento com desenvolvimento técnico e tático do time, a imprensa taxava o treinador de maluco e dizia que ele brincava de ser técnico.

A tudo isso, juntou-se o fato de que uma ala nobre de dirigentes, que também são de certa forma acionistas do Millonários, decidiram que o salário pedido por Osório era muito alto para o trabalho dele. Deixando o treinador com mais vontade de aceitar uma proposta para treinar o Chicago Fire, na MLS.

Para o torcedor do Millonários, restou a dor de ver o treinador ter um grande sucesso em seus rivais, sendo campeão nacional pelo Once Caldas, além de tricampeão nacional, bicampeão da Copa Colômbia e campeão da Superliga pelo Atlético Nacional.

Pelo andar da carruagem, não é difícil imaginar que Aidar consiga transformar o São Paulo em mais um Millonários para Osório e vai restar ao torcedor tricolor apenas a dor de ver o treinador fazer sucesso em qualquer outra equipe, dentro ou fora do Brasil.

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base.
This entry was posted in Promessas do futebol. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>