Com projeto social, zagueiro sub-15 e olheiro gringo, Água Santa faz história na Copa São Paulo

O time de Diadema está repetindo nas categorias de base o mesmo sucesso que atingiu no profissional, mas sem esquecer suas origens

O Água Santa já ficou famoso no futebol profissional por conta da sua ascenção meteórica. O clube conseguiu acessos seguidos desde 2012 e chegou até a primeira divisão do futebol paulista. Na Copa São Paulo de 2016 chegou a vez do juniores se destacarem.

Treinamento do Água Santa sub-20

O time de Diadema surpreendeu a todos na Copinha, não só conseguiu uma classificação antecipada, mas venceu o Fluminense, que mesmo desfalcado, ainda é o atual campeão do Brasileirão sub-20.

O bom trabalho do Água Santa começa com um projeto dos irmãos Wilson e Wanderley Farias, que assumiram o comando das categorias de base em março de 2015. Os dois, que tem um longo histórico acompanhando a formação de atletas, levaram para o Água Santa um conceito diferente.

“A primeira coisa que deixamos claro é que não teríamos um padrão de atleta, de altura, porte físico, idade, nossa captação se daria pela qualidade”, disse Wilson Farias. “Trouxemos para nos ajudar o Thomas Federspiel, que era olheiro do Bayer Leverkusen da Alemanha e ele veio para agregar, trazendo essa mistura de filosofias entre Europa e Brasil”.

O desafio de Thomas e dos irmãos Farias está longe de ser simples, mas eles têm a seu favor um imenso projeto desenvolvido pelo próprio clube para as crianças carentes da região periférica de São Paulo.

“Nós captamos atletas do nosso projeto social, que atende mais de 4.000 crianças carentes e colhemos ótimos frutos”, comentou Wilson. “Tivemos apoio total da diretoria para implantar nossas ideias e passamos a trabalhar muito a parte emocional dos jovens, exaltando que somos pequenos, humildes, mas merecedores de tudo que conseguirmos”.

O projeto social já trouxe um grande fruto para o time. O zagueiro titular dessa campanha, que já é histórica para o Água Santa, tem apenas 15 anos e veio direto do projeto social. Trata-se de Igor, que por um acaso do destino herdou a vaga e se tornou um dos principais destaques do Água Santa.

Igor não seria titular desse time, principalmente devido a sua idade, mas a sorte apareceu para ele com a saída de Vinicius Lozano, que depois de se recuperar de lesão, deixou o clube por ter propostas de outras equipes.

O jovem de apenas 15 anos assumiu a posição sem medo e ajudou a defesa do Água Santa a passar sem tomar gols em suas primeiras duas partidas na Copa São Paulo. As boas atuações já renderam propostas formais dos grandes clubes do Brasil, que devem levar o jovem após a Copinha.

O trabalho de captação não fica só no quintal de casa. O meio-campista Tavison, de apenas 15 anos, foi captado da comunidade do Grajaú, por exemplo e já deve ter chances no time sub-20.

Mais longe ainda, o camisa 10 e principal nome do time, Matheus Lima, foi trazido pelos irmãos Farias direto do Maranhão. O jovem esteve com o time do Palmeiras em 2012 e 2013, mas foi dispensado e acertou com o Imperatriz-MA.

A busca de Wilson e Wanderley pelo atleta deu certo. Apesar da eliminação do Água Santa ainda na primeira fase do Paulista sub-20, Matheus terminou em terceiro lugar na artilharia da competição e ainda conseguiu uma vaga na Seleção Paulista da categoria, onde foi campeão.

O sucesso que a equipe vem conseguindo com seus atletas, desde o sub-15 até o sub-20, mostra que o futuro pode ser muito próspero, não só para o Água Santa, mas para todos os jovens que fizerem parte deste projeto.

 

 

 

 

 

 

 

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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