Precisamos falar sobre o Corinthians campeão da Copa do Brasil sub-17

No final do mês de maio, o Corinthians venceu o Sport por 2 a 0 e se tornou campeão pela primeira vez da Copa do Brasil sub-17.

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O título reacendeu a discussão sobre a base corintiana, que geralmente é mais forte no sub-20, mas finalmente chegou como um destaque grande em categorias inferiores.

Pra começar a falar desse time e sobre essa campanha, primeiro tem que se ressaltar a imensa dificuldade que foi a final contra o Sport Club de Recife.

A equipe pernambucana estava invicta na competição e protagonizou jogos impressionantes, como contra o São Paulo, um dos favoritos do torneio, após estar perdendo em casa por 4 a 3 e virar o jogo para 5 a 4 nos minutos finais ou a incrível recuperação contra o Flamengo, depois de estar perdendo por 3 a 0 fora de casa e conseguir buscar o empate.

Ou seja, o Corinthians, que ano passado emplacou alguns jogadores mais novos na campanha vitoriosa do Mundial de Madrid sub-17, chegou muito forte e isso se deve principalmente ao jogador que é o grande diferencial: Fabricio Oya.

O camisa 10, agenciado por Wagner Ribeiro, já é considerado o grande destaque /99 do país faz e consagrou isso na Copa do Brasil. Por exemplo na semifinal, quando fez lindas jogadas, marcou dois golaços e junto com Caio Emerson destroçou o Cruzeiro. Além do Mundial de Clubes sub-17, Fabrício, mesmo contundido na época, foi o herói do título da Taça BH sobre o Flamengo.

Mas e aí, quem são os jovens destaques? Algo mudou?

O primeiro diferencial para as outras gerações, é que essa começou a se destacar ainda no sub-15, coisa rara no Corinthians, que sempre teve mais investimento no sub-20, principalmente visando a conquista da Copa São Paulo.

A maior estrela do time, Fabrício Oya, tem 70% dos seus direitos ligados ao Corinthians. Porcentagem muito maior de outros destaques da base recentemente, como Marciel, Matheus Pereira, Maycon e outros campeões da Copinha.

A parte ruim é que a mesma atenção não foi dada ao artilheiro Caio Emerson, agenciado por Taciano Pimenta e que veio do Cruzeiro ainda no sub-15. Contratação de Mario Gobbi, o jogador entrou na competição sem um contrato profissional e o acordo firmado pela gestão anterior não agrada os novos gestores.

Em uma primeira opção o Corinthians teria 25% dos direitos, o Cruzeiro outros 25% e Taciano ficaria com os 50% restantes. Para adquirir mais metade do percentual do empresário, o alvinegro teria que desembolsar 1 milhão de reais.

O outro talento é o polêmico Vitinho, que nascido em 2000, já é um destaque do time /99. Ele foi o autor do gol do título e ganhou sua chance na final por causa de uma lesão na virilha sofrida por Caio Emerson. No começo do ano, um erro administrativo custou uma boa grana ao Corinthians na manutenção do jovem.

O Corinthians esqueceu de protocolar o contrato na data e quase perdeu o atacante para o Manchester City. Depois de um novo acerto em luvas, Vitinho ficou e foi premiado com o gol do título.

E no profissional?

Ver destaques corintianos na base não é novidade, o problema, assim como em outros grandes clubes, é como serão usados no profissional.

Por exemplo, do time campeão da Copa São Paulo de 2012 ninguém foi aproveitado e o zagueiro Marquinhos foi vendido a preço de banana, o que rapidamente se mostrou um erro absurdo.

O seu companheiro de zaga, Antônio Carlos, que o Corinthians contratou do Audax-RJ quase que exclusivamente para a disputa da Copinha, fez os dois gols do título sobre o ex-time, Fluminense, mas nunca teve chances. Teve um bom empréstimo para o Avaí, onde foi titular, mas voltou e novamente sem chances, acabou rescindindo o contrato.

O volante Giovanni, um dos destaques daquela campanha, foi emprestado para Portuguesa-RJ, Ponte Preta, Atlético-PR e Tigres-RJ. No último foi titular absoluto e marcou três vezes no Carioca. Voltou ao Corinthians e nem se cogitam chances.

O mesmo vale para o último título e o vice-campeonato deste ano, já que Matheus Pereira, considerado o maior destaque há anos, já foi para o futebol italiano. Maycon, que fez o gol do título em 2015 e foi um dos destaques do vice-campeonato de 2016, também não recebe chances. Marciel foi mandado para o Cruzeiro e por aí vai.

Chegamos em uma das raras vezes na qual o Corinthians tem grandes destaques no sub-17, jogadores que não ficaram em outras equipes quase que na totalidade da sua carreira como jovens, mas de nada vai adiantar se a mentalidade do profissional na promoção das pratas da casa não mudar.

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base.
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