Sobre São Paulo vs Atlético Nacional, 2016 e o futuro

Na noite de quarta-feira o São Paulo perdeu para o Atlético Nacional por 2 a 0, no Morumbi e viu ficar muito distante o sonho do tetracampeonato da Libertadores.

Existem tantos fatores que juntos influenciaram para esse resultado, que um tweet não poderia resumir, então resolvi escrever um texto. Nenhum desses acontecimentos ou erros, sozinho, teria tanta força, mas todos juntos, são um peso grande a ser visto no tricolor paulista.

Vamos começar falando do jogo em si. O Atlético Nacional mostrou que era o melhor time, apesar das boas chances de gol do São Paulo. Não foram raros os momentos em que o toque de bola do time colombiano envolveu completamente o tricolor do Morumbi.

Era um embate de dois tipos diferentes de jogo. De um lado o São Paulo tentando criar chances, usando muitos lançamentos, chutões e jogadas aéreas. Do outro o Atlético Nacional, com um toque de bola cadenciado, passes simples e esperando a brecha perfeita para avançar.

O legal do futebol é exatamente isso: qualquer um dos times poderia ter sido vencedor. O São Paulo criou algumas chances e poderia ter aberto o placar e mudado a história do confronto. A grande verdade, porém, apesar das boas defesas do goleiro do Nacional, é que boa parte do tempo o time paulista ficou preso, jogando exatamente o jogo que seu adversário esperava.

A expulsão foi injusta e decisiva. Maicon não protagonizou um lance para expulsão, os jogadores do Atlético Nacional fizeram cera desde o primeiro minuto da partida e nada foi feito pela arbitragem. Em nenhum momento houve qualquer cobrança de mais agilidade por parte dos jogadores colombianos.

É preciso ressaltar que a expulsão não apaga o que Maicon fez pelo São Paulo no ano. A chegada do zagueiro mudou muito o time. Ele foi responsável direto na conquista de uma vaga semifinal da Libertadores.

Dá pra entender o que Bauza quis fazer, mas mexeu mal. Bauza não quis abdicar do ataque, queria vencer o Atlético Nacional em casa, dá pra entender. Mas é completamente suicida, contra um time que toca a bola como toca o Atlético Nacional, deixar apenas um zagueiro em campo, ainda mais um zagueiro como o Rodrigo Caio, que tem muito mais estilo de volante.  

Bauza errou na derrota, teve sua parcela de culpa, mas errou como todos podem errar. Não é um técnico genial e todos sabem disso, mas é um técnico que dentro do que se propõe, sabe o que faz.

Em suma, o São Paulo não jogou mal. Muito desfalcado, enfrentou um time superior e poderia ter saído vencedor. Os jogadores se esforçaram e dentro da sua limitação, a equipe fez o que poderia pelo resultado e o jogo se desenhava para um empate até o momento da expulsão.

A parte mais complicada de se analisar está fora de campo. O planejamento do São Paulo continua sendo feito nas coxas. A diretoria não decide o que quer e não contrata, nem promove com muito embasamento.

Que bom que vieram Calleri, Kelvin, Maicon e Cueva. Que pena que nada sobre isso parece ter sido muito pensado. Não é planejamento quando o clube vive de pequenas oportunidades que esporádicamente pipocam no mercado, planejamento é outra coisa muito diferente e o São Paulo claramente não tem.

Em cerca de 50 dias, o Atlético Nacional contratou seis reforços, incluindo Borja, que fez os dois gols no jogo. O São Paulo, no entanto, não poderia prever as lesões de Ganso, Lucas Fernandes e Kelvin, mas também acreditou que apenas Maicon já seria o suficiente para resolver a situação.

As contratações que o São Paulo busca continuam muito duvidosas, para não dizer suspeitas.

Com todo respeito aos atletas, mas não dá pra acreditar no embasamento de contratações como a de Getterson, prontamente desfeita. Ela era absurda mesmo que o atacante não fosse corintiano e ofendesse o São Paulo em suas redes sociais. Não é a primeira negociação do tipo, existem vários exemplos de jogadores com certa idade, sem nenhum feito de expressão, em clubes de empresários, que de repente aparecem com a camisa do São Paulo.

E esse é um problema sério. Mesmo que apareçam oportunidades boas como Kelvin e Calleri, até quando o São Paulo vai aceitar esse tipo de indicação? O mercado Sul-Americano é gigantesco e cheio de bons nomes. A base do clube é fantástica, ganha quase tudo que joga. Todo ano tem jogador brasileiro de certa qualidade voltando da Europa.

O São Paulo não observa nenhuma dessas coisas e quer fazer o torcedor acreditar que seus olheiros encontraram o craque perdido na 4ª divisão do futebol brasileiro? É vergonhoso.

Mas talvez isso seja somente o resultado quando as pessoas que decidem os movimentos do clube no mercado da bola são advogados, médicos e principalmente amigos bem relacionados no clube em vez de verdadeiramente pessoas que estudam futebol.

Pra completar, a coisa mais triste da noite foi o confronto da torcida organizada com a torcida comum. Os relatos dos torcedores comuns mostram o absurdo. Em qualquer instituição séria, relações seriam cortadas de imediato, só pelos rumores e pelas provocações que foram feitas anteriormente aos Sócio-Torcedores.

Para quem não lembra, em redes sociais, a Torcida Organizada do São Paulo postou várias mensagens ironizando a ausência dos torcedores comuns no estádio durante os jogos do Brasileirão (como se os setores das organizadas estivesse lotado). O episódio relatado no Morumbi, em que torcedores foram agredidos e chamados de modinha por não irem em todos os jogos, é a demonstração física do que foi feito em ambiente virtual.

O que sabemos é que o torcedor comum não ganha o ingresso. Nem o transporte. Não vende os ingressos que ganha. Mas enfim, não é o primeiro episódio violento e criminoso do qual membros de Organizadas participam. Faltam clubes com coragem para cortar esse tipo de coisa. Ou se querem realmente algo com o futebol, faltam Organizadas com coragem para limar esse tipo de gente, o que não vai acontecer, ou porque não querem ou porque essa gente é justamente quem teria poder para tal.

Existem pessoas de bem nas Torcidas Organizadas, então por favor, comecem a se manifestar, comecem a excluir e expor essas pessoas que usam as cores dos clubes como disfarces para seus crimes.

Se quiser pensar em 2016 e até em outros anos, o São Paulo tem que mudar urgente muita coisa. Na pior das hipóteses existe uma Copa do Brasil e um Brasileirão para serem jogados. Na melhor das hipóteses, o torcedor tem que acreditar que um 3 a 1 em Medellín não é impossível, é difícil, uma superação fora do comum, mas não é impossível.

 

 

 

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base.
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