Como o São Paulo perdeu Ederson, o goleiro de 40 milhões de euros?

Da base do São Paulo para a base do Benfica, da base do Benfica para times menores de Portugal, do Benfica para o milionário Manchester City e tudo isso em apenas dez anos. Essa é a meteórica trajetória do goleiro Ederson, que aos 23 anos passou de dispensado do tricolor paulista, a goleiro contratado por mais de 40 milhões de euros.

Ederson com a camisa do São Paulo

Ederson com a camisa do São Paulo

E uma pergunta fica no ar: por que o São Paulo dispensou um goleiro que hoje é tão valioso no mercado europeu, não tendo formado em sua base no período um goleiro capaz ou ao menos dado chance a um goleiro de sua base de substituir Rogério Ceni?

Nascido em 1993, Ederson poderia ter feito parte de uma vitoriosa geração tricolor, junto com Rodrigo Caio e João Schmidt e até ter sido integrado em times mais velhos, jogando assim também com Casemiro e Lucas, no time /92 e Oscar, no time /91. Isso, porém, nunca aconteceu.

Éderson chegou em São Paulo em 2005, indicado por Josias, ex-jogador do Palmeiras e por intermédio do então treinador do sub-13, Toninho. Apelidado de gordo pelos colegas, por ser gordinho na infância, é curioso que no sub-15, Éderson se torne o mais franzino dos goleiros. Até por isso, ficou na reserva Felipe Passoni e Marcos, mais utilizados no título do Paulista sub-15. Passoni depois foi o titular absoluto do sub-17.

Naquele ano, o São Paulo foi avassalador, teve apenas uma derrota e aproveitamento de 93% dos pontos disputados no Paulista sub-15. Foi o bicampeonato consecutivo, no ano anterior, o tricolor já havia sido campeão com o time /92, o time de Bruno Petri, como de costume, deu show.

Segundo pessoas que trabalhavam com o time sub-15 naquele ano, Éderson ainda não estava pronto para jogar, mas mostrava atributos fortes, tinha uma projeção maior do que os concorrentes. Sem muitas chances, o goleiro pra lista de dispensa de Cotia, ficando lá até o sub-16.

O preparador Geraldo Marinho brigou pela permanência do jogador: “A gente tinha três goleiros, o Felipe, o Marcos e o Éderson e o Éderson brigava com o Marcos pela posição de segundo goleiro, então, no final do ano a direção me questionou sobre ele e eu disse que era um atleta que vinha em uma crescente, eu apostava nele”, comentou Marinho. “Saí de férias achando que a situação estava resolvida, mas me ligaram falando que dispensariam o Éderson, rebati, pedi para que emprestassem ele antes, a diretoria tentou, mas ele não aceitou o empréstimo e foi dispensado, o que acabou se tornando o melhor pra carreira dele” .

É fácil explicar porque isso foi bom para a carreira de Éderson, nesse momento, por coincidência, o destino traçou um novo caminho para ele. Uma empresa procurava um goleiro para a base do Benfica e Toninho, que apostou na qualidade técnica de Éderson desde o sub-13, não teve dúvidas, sabia quem seria esse garoto. Quando o amigo Enio pediu uma indicação, Toninho foi certeiro.

Canhoto, técnico, com impulsão e um potencial de crescimento gigante, Éderson foi a primeira resposta do treinador. “Eu sabia das qualidades técnicas dele, especialmente na reposição com os pés e indiquei sem medo de errar”, confessa Toninho.

O resto da história a gente viu acontecer, apesar de emprestado algumas vezes pelo Benfica, Éderson brilhou quando assumiu a posição no time português e agora é um dos goleiros jovens mais valiosos da Europa.

 

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base.
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