E daqui 50 anos ainda vamos lembrar da Batalha do Grande Engenho!

Quando se fala em engenho, pode se pensar nas casa dos senhorios do período colonial ou mesmo nos engenhos de açúcar, responsáveis pela fabricação de diversos derivados da cana, mas quando falarmos de Batalha do Grande Engenho é sobre outra história e outro tipo de luta que estamos falando.

Botafogo x São PauloNão é uma história de técnica, estratégia, tática ou habilidade, mas é uma história de muito coração e vontade. Foi assim, com o coração pulsando forte, que o São Paulo superou tudo, inclusive e principalmente a si mesmo, para conquistar três dos pontos mais importantes que disputará no Campeonato Brasileiro de 2017.

Foi o coração que levou mais de 2 mil são-paulinos a uma viagem cansativa de ônibus e quantos ônibus, até o bairro do Engenho, no Rio de Janeiro. Foi o coração que fez Hernanes recém-chegar da China e estrear justamente contra o Botafogo, clube contra quem já fez tanta história, desde sua estreia entre os profissionais propriamente dita. Foi o coração que fez Marcos Guilherme chorar e declarar amor ao clube pelo qual não fez nem uma partida inteira ainda.

Batalhas são assim, nem sempre parece que você vai vencer e você vence, assim como às vezes parece que você vai vencer e você perde. No Engenhão foi assim e os dois lados se alternaram. O São Paulo parecia que ia vencer, um vacilo incrível do Botafogo e o tricolor conseguiu sair na frente, algo inesperado, já que o domínio do jogo era do adversário. Não durou muito, o Botafogo mostrou que não entregaria fácil, como entregou o gol, uma vitória para o São Paulo. Conseguiu marcar logo em seguida e virar não muito tempo depois.

No segundo tempo, logo que os corações de Marcos Guilherme e Wellington Nem entraram em campo, parecia que o São Paulo ia conseguir ao menos sair de pé da luta. Pênalti em Wellington Nem. O São Paulo teve o inimigo na mira e não teve força para atirar. O Botafogo, por sua vez, não teve clemência, dó, piedade, deu mais um tiro certeiro na linha adversária, contra-ataque rápido.

Parecia o fim. O São Paulo poderia ser exército de soldados abatidos no campo de batalha, mas não esse São Paulo. Esse time sabia que não poderia perder.

O coração do aguerrido comandante Lucas Pratto estava cansado, também precisou sair. Como bom comandante, que sabe o melhor para seu exército, saiu rápido, sem nem aparecer. A vitória não precisa de holofotes em um único soldado e ele sabe disso.

Esse São Paulo foi pra jogar com o coração, com vários corações e enquanto há coração que bate, a luta não está perdida e aquele coração bateu. O de Marcos Guilherme bateu o suficiente para ele diminuir o placar. Bateu o de Hernanes, para não desistir, para insistir, com a direita, com a esquerda, até a bola entrar no gol.

Bateu literalmente até o último minuto. O tiro que encerrou a batalha foi de longe, teve precisão milimétrica de Cueva, aliada ao timing implacável de Marcos Guilherme, aquele, que o coração faz lacrimejar.

O São Paulo venceu, levou três pontos e mais, levou confiança. A falta de confiança tira a sua capacidade de pensar, de decidir, de ser o mais técnico, mas não pode tirar seu coração e corações vencem batalhas.

Se essa for a virada, o momento em que o São Paulo ganhará confiança para aliar seu coração interminável a qualidade técnica que jogadores como Cueva, Pratto, Hernanes, Petros e Jucilei têm, então daqui 50 anos ainda lembraremos da Batalha do Grande Engenho, como o momento que o time que parecia que seria rebaixado, fez uma recuperação que entrou pra história.

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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