O dia em que o futebol foi emocionante e preferiram falar de outra coisa

Neste dia dos pais, milhões de pais são-paulinos foram presenteados com uma vitória épica e pouco provável do São Paulo. Poderia até ter sido um empate, teria sido igualmente épico, mas foi uma vitória, que para se tornar mais memorável, teve 56 mil torcedores assistindo in loco.

E infelizmente, a vitória e o show da torcida foram ofuscados, não pela péssima arbitragem de Rafael Traci, mas pela junção dela com a necessidade de se criar polêmica que surge como uma praga na imprensa brasileira. Tal praga que parece ter infectado até os jornalistas mais sérios, mas ainda salva alguns poucos.

Em primeiro lugar é preciso deixar claro que, apesar de vencer, o São Paulo não jogou melhor do que o time misto do Cruzeiro. Aliás, em determinado momento do segundo tempo, o domínio mineiro era tanto que não seria injusto que o time visitante deixasse o Morumbi com um placar bem elástico, como um 4 a 1, por exemplo.

Hernanes-4E é por isso que o futebol é maravilhoso, ele faz parte do grupo de esportes que cobra muito caro pelos erros mínimos ou valoriza demais um acerto pontual. Mesmo com total controle do adversário na partida, bastou uma bola parada certa do São Paulo para empatar na 2ª etapa. Algo que era improvável, inimaginável, na circunstância do jogo naquele momento.

O São Paulo não jogou pra vencer aquele jogo, mas o fato de ter chegado ao empate, por si só, já era uma superação incrível pelo que o time apresentava em campo. Algo a ser muito comemorado por todos os torcedores e é isso que tem sido bastante ignorado.

O segundo ponto é o que querem transformar em primeiro de forma distorcida: a arbitragem de Rafael Traci foi um desastre. Uma das arbitragens mais sem critério que já vi nesse Brasileirão.

Cartão amarelo? Ele dava de acordo com um sopro divino. No primeiro tempo quase nenhum, nos dez minutos finais do jogo deu cartão até pro Quero-Quero que entrou no gramado sem permissão.

Mão? Marcou uma do Buffarini, que havia sido puxado e ignorou completamente a do Digão, que ajeitou a bola para o gol de empate do Sassá. E acontece, pode ter tido interpretação diferente para ambos os toques.

Pênalti? Marcou corretamente o de Renan Ribeiro em Sassá e marcou um duvidoso de Ezequiel em Gilberto. Na minha visão não foi pênalti, mas dá pra entender a visão dele no lance, pois há contato e nem sempre se tem a noção do que esse contato pode ter feito na jogada, dependendo do ângulo.

Agora o incrível, é que essa arbitragem que claramente foi ruim, errou para ambos os lados, conseguiu ser classificada por parte da imprensa como “um paizão” para o São Paulo. Teve jornalista enxergou até esquema para o São Paulo sair do rebaixamento.

Parece piada que gente que acompanha todas as rodadas do Brasileirão enxergue assim, mas não é.

E é mais bizarro ainda, quando se para pra pensar que não faz muito tempo o São Paulo passou por uma sequência de lances onde foi prejudicado pela arbitragem e quase todos eles completamente ignorados na grande mídia.

Se pensar em lances que deixam dúvida, no último lance do jogo contra o Grêmio, Gilberto reclamou muito de um pênalti. A arbitragem não marcou. O lance foi bastante duvidoso, geraria polêmica e opiniões divididas, certamente, se fosse marcado a favor do São Paulo. Como não foi marcado, o silêncio pairou no ar.

Contra o Coritiba, Rildo teve lance tão ou mais duvidoso que o de Gilberto. Pênalti, discutível, como quase sempre. Ao meu ver não foi, mas houve margem para a marcação.

Na mesma partida, o árbitro errou o jogador que deveria levar cartão em uma falta e assim, ainda no primeiro tempo, não expulsou o volante do Coritiba que receberia o segundo amarelo. Fosse o Jucilei não sendo expulso por uma confusão bizarra da arbitragem, talvez tivesse plantão de certas emissoras. Não foi, foi o jogador do Coritiba contra o São Paulo. Silêncio.

Na mesma partida, Pratto recebeu uma bola em condições e saiu na cara do goleiro. Impedimento mal marcado e muito mal marcado. Fosse contra qualquer outro time, até em Marte estaríam falando disso. Foi contra o São Paulo e nesse caso, a má atuação ofuscou a arbitragem ruim. Silêncio de novo.

Contra o Bahia novos lances, a começar pelo gol do Bahia que se iniciou em uma jogada com vários metros de impedimento e depois um pênalti claro não marcado em Éder Militão. Silêncio.

Chegou ao cúmulo: o árbitro relatou na súmula que foi intimidado pelo presidente do Bahia. Pelo que disse o árbitro em seu registro, o dirigente falou mais do que a imprensa esportiva, que ficou em silêncio de novo.

O detalhe é que, tirando o Grêmio, esses são todos concorrentes diretos do São Paulo contra o rebaixamento. São os jogos mais importantes para quem quer fugir do Z4 e ninguém falou que existia um esquema para rebaixar o São Paulo por causa disso. Aliás, corretamente, a maioria lembrou que o futebol do tricolor era muito mais responsável pela situação do que a péssima arbitragem brasileira.

Neste domingo, contra o Cruzeiro, dentre os diversos erros da arbitragem, está a dúvida sobre o pênalti em Gilberto. Vejam bem: a dúvida. Quando essa dúvida foi contra o São Paulo, o que se ouviu foi o silêncio. Agora quando é a favor, até em esquema pra salvar o São Paulo foi falado. Que piada.

É importante lembrar, como sempre falei, o São Paulo não perdeu esses jogos porque a arbitragem errou, perdeu porque jogou muito mal. Também não venceu domingo porque a arbitragem errou, venceu porque teve garra para buscar o empate e porque Hernanes estava inspirado na bola parada.

Enfim, tanta coisa boa para se falar. Dá pra falar de como o Cruzeiro entrou no segundo tempo com o sangue nos olhos, de como o São Paulo se abateu com a virada, de como o São Paulo achou aquele gol de empate e isso mudou a dinâmica do jogo, de como Hernanes, que estava mal no jogo, acabou por ser decisivo na bola parada. Dava até pra questionar esse pênalti no Gilberto e outros lances, mas disso partir para teorias da conspiração? Realmente deram um passo além.

É uma pena que em uma manhã onde o futebol magnifico como só o futebol poderia ser, a mídia preferiu falar que o futebol foi tudo que ele não deveria ser.

Por falar em emoção, veja a emoção que foi na São Paulo Digital!

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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