Com homenagem e desfile, Leco botou a torcida do São Paulo pra sambar

No último jogo do Campeonato Brasileiro, Leco e seus diretores mostraram toda a sua esperteza e conseguiram usar todos os artifícios para impedir uma cobrança maior, que era necessária.

Um ano traumático, quase assumindo namoro com o rebaixamento e com apresentações vergonhosas.  Resultado de uma equipe montada sem planejamento, sem coerência e é possível dizer até sem conhecimento.

Foto por Gabriel Fuhrmann

Foto por Gabriel Fuhrmann

Verdade seja dita, Leco não é o único culpado de um ano horroroso. É certamente algo que vem de muitos anos, já são várias temporadas sem um norte, sem esperança de que dias melhores virão. Nos últimos três anos, sete treinadores, cada um com um estilo de jogo completamente diferente do outro, do ofensivo e moderno Osório para o defensivo e pragmático Bauza, passaram pelo São Paulo.

Não importa qual dos dois estilos é melhor ou pior, os dois podem ser campeões e bons, desde que o time adote a filosofia até o final. E isso só mostra o que acontece com o São Paulo em todas as diretorias: um time por trimestre, tudo começando do zero a cada três meses. Mudam todos os jogadores, muda a comissão e nenhum trabalho vai pra frente.

Leco teve, na última rodada, a inteligência de utilizar para si mesmo mais das coisas que ele aprontou contra o São Paulo durante todo o ano. Com pequenas atitudes, ele conseguiu inibir a cobrança merecida que ele receberia das mais de 60 mil pessoas presentes no estádio.

Como fez e ainda faz com Rogério Ceni, usou Lugano de escudo. Leco ainda bota toda a culpa do ano ruim em Rogério, não assume sua parcela gigantesca no fracasso de 2017. Com Lugano é menos pior, pois não ofende um ídolo tricolor, mas usou a despedida do uruguaio como uma cortina de fumaça para evitar ser criticado.

No meio de toda a homenagem a uma pessoa tão importante e querida como Lugano, é difícil transformar o sentimento de despedida, de agradecimento a ele, em cobrança ao Leco. São duas coisas opostas, o torcedor não tem culpa de não conseguir separar isso imediatamente naquele momento. Ainda em cima do torcedor convencional, o ingresso a 1 real levou gente nova ao estádio, sem a mentalidade de protesto necessária.

Para inibir as organizadas, Leco colocou as escolas de samba para fazerem um pequeno desfile no estádio. Samba é festa, alegria e é impossível manter a cabeça de cobrança nessa situação. Mesmo que não seja troca de favores, algo que pode ser sugerido dado o investimento do São Paulo no carnaval promovido pelas suas organizadas, tornou o ambiente desfavorável para qualquer tipo de protesto.

Em vez de cobrança, Leco ganhou abraços e não teve rainha de escola de samba, quem está sambando nessa história é a torcida e o São Paulo.

O que se sabe é que 2018 precisa ser diferente e para ser diferente, só com cobrança. Pouco mais de uma centena de conselheiros são responsáveis por Leco estar onde está e fazer o que faz, eles têm que ser cobrados para que cobrem também o presidente e se necessário, o retirem do cargo.

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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