No tempo de vocês não era assim

Caros Raí, Ricardo Rocha, Lugano… eu tenho certeza que no tempo de cada um de vocês as coisas não eram assim.

Eu tenho certeza, quando a responsabilidade da bola estava nos pés de vocês, o São Paulo não era assim. Não era assim que os outros enxergavam o São Paulo. Confesso, nos tempos de vocês, Ricardo Rocha e Raí, eu era apenas um bebê. Não vivi aquela glória e toda a sua intensidade, mas com Lugano foi diferente e mesmo ainda não tendo a compreensão que tenho hoje, eu sei que o São Paulo não era assim.

ricrocharaiVocês podem dizer melhor, mas eu tenho certeza que eram outros tempos.

Não era tudo mato, como diz meu avô ao passar por suas lembranças de infância, mas era um tempo em que o São Paulo impunha respeito, não importava qual fosse o gramado. Por falar em infância, eram tempos em que o São Paulo era o sonho de qualquer criança. Se ela não torcia para o São Paulo, queria que seu time fosse mais parecido com o tricolor e quem não queria? Não só crianças, até adultos, já com a paixão inflamada no peito, olhavam para o tricolor e se perguntavam: “não dá pro meu time ser um pouquinho mais assim?”.

Eram tempos em que jogar no Morumbi era um inferno e enfrentar o São Paulo em sua própria casa um verdadeiro desafio. Tempos onde jogadores almejavam estar sob o comando técnico de Telê Santana ou de Muricy Ramalho, sob uma direção que não tinha outro objetivo que não fosse buscar títulos e que tivesse tudo organizado, tudo dentro do seu controle. Outros tempos.

A essa altura vocês já devem ter percebido, apesar de hoje voltarem a vestir a mesma camisa de tempos atrás, não é mais o mesmo clube.

Vocês nunca falaram, mas eu sei que o São Paulo do tempo de vocês não passaria o que passa o São Paulo de hoje. Jamais jogaria um clássico em que o adversário tivesse que se esforçar tão pouco para marcar um gol. O São Paulo do tempo de vocês não aceitaria pouco mais de 20 vitórias nos seus 100 últimos clássicos.

Ricardo Rocha, Raí, Lugano, vocês conseguem imaginar o São Paulo do tempo de vocês passar um ano inteiro sem vencer um clássico, como foi o São Paulo de 2013? Vocês se imaginam vestindo a camisa de um São Paulo que em dez clássicos empata quatro, perde seis, faz apenas três gols e leva 14? O São Paulo do tempo de vocês era temido. Era vencedor, não se entregava. É, não parece com o São Paulo que vocês vestem a camisa hoje, não é mesmo?

Eu vou contar um segredo: o São Paulo do tempo de vocês era outro. Hoje vocês estão em um novo e piorado São Paulo, um São Paulo que nos últimos três anos jogou 32 clássicos, venceu apenas sete, empatou oito e perdeu 17. Claro, são clássicos, é só uma pequena amostra do que mudou. O São Paulo que vocês vestem a camisa hoje ganhou seu último título de grande expressão em 2008, isso mesmo, há dez anos. De lá pra cá, apenas um outro título, uma Sul-Americana, importante, contagiante, comemorada, mas ainda assim, apenas um título nesse tempo todo não é coisa do São Paulo do tempo de vocês.

Isso não é uma crítica a vocês, é um pedido. O São Paulo do tempo de vocês não era assim e se vocês ainda lembram como ele era e sabem onde ele está, por favor, tragam de volta.

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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3 Responses to No tempo de vocês não era assim

  1. BELO COMENTARIO, ATÉ CHOREI, TUDO É VERDADE, ERA TRICOLOR FORTE, GANHAVA TODAS, O FAMOSO MORUMBI SUPER LOTADO, GRITANDO RAI, RICARDO ROCHA, LUGANO, E EM ESPECIAL O NUMERO 1 “ROGERIO” CENI, TENHO CERTEZA QUE VOCES, INCLUSIVE RAI AGORA NA DIREÇÃO VAI DAR ANIMO, AVANTE TRICOLOR, SEMPRE TRICOLOR ATÉ MORRER. PARABENS ABOUT GABRIEL PELA REPORTAGEM.-DR. TOGO EGARD YEDA- DE POUSO ALEGRE/MG PARA MEUS QUERIDOS AMIGOS PIRACICABANO TRICOLOR.
    POUSO ALEGRE/MG-29/01/2018, EM TEMPO; NÃO PODEMOS ESQUCER DE MURICY RAMARALHO.

  2. Allan says:

    Cara, vc foi muito, mas muito bem, eu lembro do São Paulo da época deles, realmente era muito diferente.
    Parabéns pelo texto.
    Grande abraço.

  3. Plínio Regis silva de Oliveira says:

    Parabéns pelo testo! Faço das suas palavras, minhas palavras!

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