Até quando o São Paulo vai precisar de um resgate?

O São Paulo venceu o Madureira por 1 a 0, mas por alguns motivos o torcedor sai da partida como se o São Paulo tivesse perdido.

O problema nem é o resultado em si. Fluminense e Inter também não fizeram muito melhor. O problema é a sensação que o São Paulo deixa após mais um jogo, como sai o torcedor de mais uma noite frustrante.

Apresentacao Dorival no SPSai com a sensação de derrota porque o time vence e continua completamente perdido, sem sequer saber o rumo de casa. O São Paulo não tem GPS, não tem bússola, não tem norte, não tem nem as pegadas pra saber ao menos o caminho pode onde veio.

E não pensem que isso começou esse ano. Há pelo menos seis anos o São Paulo se perdeu em uma trilha e não conseguiu nunca mais sair do lugar, anda em círculos. Pode tentar sinal de fumaça, sinalizador, gritar por socorro, não adianta, entra ano e sai ano o São Paulo parece estar de volta no mesmo lugar.

Não é só vencer um jogo de forma magra ou dar chances pra um time com muito menos investimento, é sobre muito mais do que isso. Sobre contratações, sobre planejamento, sobre treinadores, conceito de jogo, tática, enfim, não existe identidade São Paulo sobre nenhum desses critérios e o resultado não poderia ser outro se não a decepção do torcedor.

Hoje era um daqueles jogos para ao menos fingir que sabia o caminho. Sabe quando aquele cara mais perdido de todos do grupo fala: “confia, eu sei pra onde a gente tá indo” e mesmo que apenas por querer se enganar todo mundo acredita? Hoje era um jogo desses. É claro que mesmo que goleasse, o São Paulo continuaria sem rumo, mas ao menos a torcida ia acreditar por alguns dias que sabia o mínimo da direção que o time segue.

Nem isso o São Paulo foi capaz de fazer.

A culpa não é só do Dorival Júnior, ele, claro, é mais um culpado nesse drama tricolor. O processo é muito longo e envolve muita gente pra culpa ser apenas do treinador atual. O time pode não apresentar padrão, ofensivo ou defensivo, ter dificuldade absurda na criação de jogadas trabalhadas, não conseguir ser agudo ou pressionar o adversário e até ter panes defensivas, mas o que irrita e tira a paciência do torcedor vai além disso. É ver o São Paulo repetindo outros padrões, mudando ou não a diretoria. Todo ano que passa, o mesmo discurso de reconstrução, de recomeço. O São Paulo está sempre no mesmo lugar. Começa a dar o desespero no torcedor de ver o mesmo episódio de série triste se repetir.

É isso ano após ano, o São Paulo seguindo por uma trilha, sem saber onde vai chegar, sem saber como voltar e sem saber sequer o motivo pelo qual está andando. Contratações vem e vão, no mais puro desespero de quem não sabe mais se segue o leito do rio ou se olha a direção do musgo nas árvores.  Hoje foi o Madureira, poderia ter sido o Juventude de outro ano. Tanto faz. Até o placar tanto faz. Pode o placar dizer vitória ou derrota, o sentimento é de estar perdido sempre.

Nesse ritmo, no final do ano, como em outros anos, não vai sobrar nenhuma outra opção a não ser chamar o resgate.

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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