Os jogadores do Dorival precisam ser diferentes do que são para o time funcionar

O momento de Dorival Jr no São Paulo é péssimo. O time tem a pior campanha dentre os quatro grandes do estado no Paulistão e ainda está atrás de São Bento, Bragantino, Ituano e Botafogo-SP.

Com apenas 11 pontos, o São Paulo parece em um patamar distante dos seus rivais e próximo dos times do interior, que disputam séries B, C e D do Campeonato Brasileiro. É o único time de Série A do Paulistão que não passou dos 15 pontos.

No jogo contra a Ferroviária o São Paulo conseguiu um decepcionante empate, mas a impressão que se teve, é que Dorival queria garantir ao menos isso.

5a9345b908e32O técnico repetiu erros antigos. No primeiro tempo, com o espaço dado pelo time da Ferroviária, Diego Souza se movimentou mais e em certo momento até serviu Cueva em boa oportunidade. No entanto, na maior parte do tempo, o que se viu foi o atacante próximo a área, mas de costas para o gol. Exatamente a forma de jogar que Diego já revelou ter mais dificuldade.

A solução, então poderia ser recuar mais Diego e colocar um centroavante. O São Paulo, que quase não era atacado pela Ferroviária, poderia abrir mão de um volante, certo? Não para Dorival, ele manteve os volantes em campo e sacou o próprio Diego Souza para a entrada de Trellez, apenas mudando o jogador que teria que continuar fazendo a mesma função e deixando a transição sob cargo de Hudson e Petros, que subiam ao ataque.

Vem a ideia de colocar Nenê, quem sabe uma chance de avançar mais Valdivia e aumentar o volume de jogo próximo a Trellez, além de colocar Nenê como responsável por uma transição de maior qualidade. Não para Dorival, a opção foi colocar Nenê para cruzar a bola, quem sabe encontrar Trellez na área e às vezes se aproximar de Cueva.

Última chance de não ser vaiado e Dorival vai colocar Paulo Boia. Boa chance de ter dois pontas de velocidade no jogo, algo que o próprio treinador sempre deixou claro que precisava, Paulinho de um lado e Marcos Guilherme, que vinha mal no jogo, do outro. Talvez se o técnico não fosse Dorival Jr. O jovem entra justamente no lugar de Marcos Guilherme e o São Paulo segue atuando do mesmo jeito, agora pressionando o adversário.

No jogo de xadrez do São Paulo, Dorival mexeu as peças, mas trocou peão por peão, torre por torre e colocou nas mesmas casas. As características dos jogadores até mudaram um pouco, mas o jeito de jogar do São Paulo não mudou muito. Não se criaram peças em novas posições para chegar a um novo resultado.

Pra completar, os dois laterais tinham grande participação no ataque, também devido a baixa ofensividade do adversário. Infelizmente os dois dos jogadores mais defensivos do São Paulo, Militão e Edimar, que atuaram grande parte do tempo no campo de ataque, em certas oportunidades, até a frente de Cueva e Valdivia (posteriormente Nenê).

Dorival criou então um time com volantes que não tem como armar, mas precisam armar. Com laterais que não são ofensivos, mas precisam ser. Com apenas um ponta de velocidade, embora os dois precisem ter e um atacante, que não é atacante, embora precise ser.

O time precisa ser outra coisa, diferente do que ele é, para funcionar. Faz algum sentido?

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
This entry was posted in Promessas do futebol. Bookmark the permalink.

One Response to Os jogadores do Dorival precisam ser diferentes do que são para o time funcionar

  1. Renan Palma Stabile says:

    Perfeito na analise, Dorival precisa arriscar mais no ataque.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>