O técnico é só uma das cartas no castelo de cartas do São Paulo

A crise do São Paulo já dura alguns anos. Ao menos nos últimos seis, todo ano a mesma história começa a ser contada sobre um time que está se reconstruindo.

tmbTodo ano o São Paulo está em reconstrução, porque todo ano começa a montar um novo castelo de cartas e no mesmo ano derruba ele porque não tem cartas o suficiente, não montou uma base correta de cartas ou simplesmente montou dois o três castelos diferentes e não conseguiu finalizar nenhum. Todo ano o São Paulo tenta subir e derruba um castelo de cartas diferente.

Dentro dessa história toda, o treinador é uma carta importante, mas ainda assim apenas uma carta dentro desse castelo e sendo apenas uma carta, várias cartas diferentes de treinador podem encaixar, desde que haja uma base de cartas que os sustente e é essa base que o São Paulo não teve em nenhum desses últimos anos.

Aguirre chegou para ajudar a montar este castelo, mas como disse, ele é apenas uma carta. De nada adiantará se outras cartas não estiverem montadas da forma correta, para que então o treinador possa encaixar perfeitamente na construção e ajudar o castelo a crescer.

Muito se fala sobre resgatar o São Paulo que um dia conhecemos e para isso acontecer o São Paulo precisa voltar a ser a vanguarda do futebol. O grande alicerce do castelo que se construiu entre 2004 e 2008 era justamente a inovação, o São Paulo fazia o que nenhum outro clube fazia na época, era único e era a inspiração de muitos outros clubes. Fosse nas contratações de atletas, na sua política com treinadores, no seu investimento em base ou na sua gestão institucional.

Para voltar a ser o São Paulo que ganhou títulos, é preciso mais que uma mudança de técnico. É preciso uma mudança de postura e de planejamento, não é possível atingir resultados diferentes fazendo as mesmas coisas todo ano.

O São Paulo precisa voltar a ser inovador, precisa ser o clube no qual os outros vão se espelhar e não aquele que vai correr atrás do que os outros fazem. Hoje o São Paulo utiliza as novidades do futebol com atraso, com receio e com rejeição interna, seja culpa dos seus presidentes ou conselheiros de mentalidade atrasada. A guerra de egos dentro do tricolor, pela necessidade de ser o pai ou mãe do projeto, de ser aquele que indicou ou algo pior, como ser aquele que recebe por indicar, acaba com qualquer evolução.

O Big Data é hoje a grande inovação, a análise de dados é o grande diferencial do futebol nos últimos anos. É algo capaz de aumentar a assertividade dentro e fora de campo. Com a assertividade que o tricolor mostra nas contratações de atletas, treinadores e escolhas de seus diretores, não admira que seja dos clubes mais atrasados neste novo universo dentre os grandes clubes brasileiros.

Para construir um bom castelo de cartas, o São Paulo precisa ter uma base, ou seja, um projeto sólido. Abraçando um planejamento e seguindo com ele, aí sim, a carta do treinador é essencial e faz a diferença para que este castelo seja o maior e melhor possível.

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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