A questão não é se o VAR é bom ou ruim, é se está sendo usado da melhor forma

Pra quem gosta de falar de arbitragem no futebol, a Copa do Mundo de 2018 é um prato cheio. A novidade do vídeo árbitro trouxe alguns acertos, alguns erros e muitas questões para as mesas redondas populares.

3887263397Embora muitos ainda se perguntem se a tecnologia do árbitro de vídeo é boa para o futebol, o que na minha opinião não é mais a questão, pois assim como outras tecnologias, o árbitro de vídeo ajuda sim o jogo, a verdadeira pergunta é: estamos usando esse recurso da maneira correta?

Será que a forma como o VAR vem sendo usado na Copa do Mundo é realmente a melhor forma para minimizar as discussões? Pelo que vemos nos pós-jogos, parece que não. Pelo contrário, no momento o VAR está aumentando as discussões e na verdade deixando ainda mais escancarados e inaceitáveis os erros de arbitragem.

Se antes era possível minimizar o erro de um árbitro por ele não ter chance de ver o replay em câmera lenta, de assistir o lance com zoom e foco, como telespectadores e comentaristas, agora não é mais. Agora podemos falar com toda a certeza que o árbitro errou porque quis, não há mais desculpa sobre não ter visto esse ou aquele lance.

Nessa Copa já tivemos pênaltis claros não marcados, pênaltis não tão pênaltis assim marcados, pênalti anulado, gol anulado, enfim, teve de tudo. Em muitos casos o VAR ajudou e em outros foi completamente omisso.

O que falta então? Será que o VAR deveria ter mais autonomia? Exigir que o árbitro pare para assistir uma jogada? E mesmo que ele possa fazer isso, é possível que o árbitro de vídeo tenha visto a jogada e não achado um lance claro de penalidade. O uso do VAR hoje fala sobre erros claros, aliás, deixa bem explícito que é apenas para erros claros de arbitragem.

O questionamento que fica é: o que é um erro claro? Um erro que assistindo o replay em câmera lenta fica óbvio é claro? Um erro que o árbitro tem que parar e analisar é claro? O pênalti para a Suécia contra a Alemanha não era claro? O pênalti da Sérvia contra a Suíça não era claro? Se não eram, por que?

O que definitivamente falta é um pouco mais de critério para o uso do vídeo. Talvez toda a jogada de gol deva ser revisada, como é no futebol americano. Talvez os times devam ter direito a um ou dois desafios por tempo, perdendo eles em caso de um desafio errado. Se tivessem o direito de uma revisão, se Suécia e Sérvia não pedissem, erro dos times, como já acontece em outros esportes que usam o recurso de vídeo. Embora nesses lances especificamente, o árbitro de vídeo deveria ter interferido de qualquer forma.

Nós temos que traçar essa linha tênue entre onde o árbitro tem que agir por conta própria e onde o time é que poderá pedir a revisão? Como fazer isso? São muitas questões no desenvolvimento do uso dessa tecnologia, que apenas com o tempo e mais estudos teremos as respostas.

O futebol com o VAR precisa também entender que vai trabalhar em uma nova hierarquia, com mais proatividade dos árbitros assistentes. Tanto o quarto árbitro como os árbitros que ajudam no recurso de vídeo, todos passam a ter muita importância e ter capacidade de falar e orientar nas decisões. Algo que precisará de muito trabalho pra acontecer, já que não é novidade para nós que o ego pesa bastante e que síndrome de pequeno poder é algo muito real em várias situações. Por exemplo, no Brasil, quase não se vê os árbitros de linha de fundo sendo proativos nas jogadas.

A tecnologia é boa e pode ajudar o jogo a ser mais justo e principalmente ajudar a arbitragem a tomar mais decisões corretas? Com certeza. Ela está fazendo isso nessa Copa do Mundo? Talvez não. Que o VAR deve fazer parte do futebol não tenho dúvidas, assim como também não tenho dúvidas de que ele ainda tem muito pra evoluir.

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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One Response to A questão não é se o VAR é bom ou ruim, é se está sendo usado da melhor forma

  1. Edison Junior says:

    A tecnologia é boa e, queiram ou não queiram, veio para ficar. Infelizmente, ou felizmente, muitos lances ainda continuarão a ser interpretativos e gerarão discussões nas messas redondas. Você tem toda razão, é preciso definir melhor quando e como utilizar. Abraços!

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