Era pra ser uma noite mágica, mas foi só mais uma como as outras

Era Davi contra Golias, um time estreante na Libertadores, contra um gigante, já tradicional, entre os maiores campeões. Um time com menos de uma década de vida, contra um perto do fim da sua segunda metade de século. Um time de um título apenas em sua história, contra outro que os troféus já não cabem em uma sala.

Screen Shot 2020-03-07 at 13.03.39Não é injusto dizer, o São Paulo tinha dois grandes adversários: a altitude e si mesmo. E por incrível que pareça, conseguiu perder para ambos e para o time peruano. Que não tem nada de excepcional, nem com a altitude conseguiram chegar perto de igualar o jogo.

No final das contas só existe um responsável pela derrota do São Paulo em Juliaca e é o próprio São Paulo.

Quem dera fosse o acaso, mas é a rotina. Em 2020 é padrão do São Paulo perder para si mesmo. Criar todas as oportunidades pra vencer e ser incapaz de concretizar. Foi assim que vimos o São Paulo passar aperto contra a Ponte Preta, contra a Ferroviária, perder para o Santo André.

Claro que em alguns jogos houve um outro adversário, a arbitragem. Que embora tenha validado gols ilegais dos adversários, anulado gols legais do São Paulo e não marcado pênaltis para o São Paulo, mas ainda foram todos jogos em que o resultado teve tudo para ser construído.

É claro que o torcedor estava otimista, porque acreditava que seria diferente, afinal, era pra ser uma noite mágica, uma noite perfeita. E de repente esse mesmo torcedor acreditava que o São Paulo precisava de um pouco dessa magia, precisava entender que era um jogo diferente, era a primeira grande final do ano para finalmente fazer diferente.

É Libertadores, não é qualquer coisa, não é o momento de desperdiçar nada, todo jogo é matar ou morrer. Não deixe passar nada. Nenhum segundo, nenhum fôlego, nenhuma chance de matar seu adversário. E se o São Paulo realmente fosse assim, teria goleado o Binacional, teria garantido três pontos vitais.

É claro que o torcedor estava otimista, porque o São Paulo dá razões pra otimismo. É um time que joga bem sim, faz o mais difícil, cria as chances pra vencer o jogo, mas simplesmente não vence.

O mais preocupante é que não foi assim só contra o Binacional, certamente não será a última vez que será assim. O normal do São Paulo não serve. Agrada o time criar chances, mas irrita muito mais quando não aproveita elas.

O que faz esse desperdício fora do normal? É falta de confiança? É desespero? É falta de qualidade? É falta de treino? Não sei, acho que só quem está lá dentro sabe e de repente cada um pode ter um motivo diferente para isso.

O São Paulo pode sim ir longe esse ano, mas pra isso, tem que ter outra mentalidade, tem que entender que vem de um momento ruim. Tem que saber que o seu normal não está adiantando, queremos o São Paulo fora do normal, que pode resgatar a confiança e os títulos.

Essa noite foi como as outras, as outras não podem mais ser como essa noite.

 

About Gabriel Fuhrmann

Jornalista formado desde 2011, especializado em futebol de base. Repórter da São Paulo FC Digital
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